| por
Eduardo Teixeira Küll |
Mais uma vez fiquei
chocado com o desplante, o descaramento dos países
"desenvolvidos". Foi aprovada na Europa uma nova norma a
respeito do nível de sal na carne de frango, norma essa que inviabiliza
a exportação do nosso frango àquele mercado. Esta norma foi feita sob
encomenda para "proteger" os produtores europeus do aumento da
importação de frango do Brasil e da Tailândia.
Sobre o país asiático, eu nada posso dizer, mas sobre o nosso, posso
dizer que, novamente, estamos sendo punidos pela competência dos nossos
produtores. Estamos sendo punidos por algo que, exatamente como no caso
do aço com relação aos EUA, "eles" não conseguem admitir:
"nós", os cucarachas, os macaquitos, os filhos
e netos de Carmen Miranda, somos mais competentes que eles e temos reais
possibilidades de nos tornarmos "os maiores do mundo".
- Somos penalizados pela VW com a provável transferência da linha de
montagem do Golf para o México, pura e simplesmente porque esta
transferência deve reduzir os custos de venda do carro. O México faz
parte do Nafta e, portanto, desfruta de vantagens fiscais que nós, que
temos defendido maior igualdade de condições de negociação, não
temos (eis aí o "imperialismo" escancarado).
- Não vendemos um único Corsa, Astra ou Zafira ao México, mas
compramos carros de lá, provavelmente porque é mais interessante para
a GM ganhar escala nas linhas da Opel do que fabricar os motores Ecotec
no Brasil e equipar nossos carros com eles. Lembre-se que com a
desvalorização do real devemos ter um dos menores custos de produção,
em dólar, de peças, acessórios e motores do mundo.
- Agora, assumindo a sua incompetência na produção até mesmo de
alimentos, temos uma taxação que aleija o Brasil de um mercado
conquistado com muito suor e trabalho, oferecendo um produto SEM NENHUM
SUBSÍDIO, de altíssima qualidade; tudo isto após termos aberto
amplamente nosso mercado SEM NADA EM TROCA, numa atitude estúpida e típica
dos políticos sem preparo da parte do ex-presidente Collor. Atitude
esta que acabou desencadeando dez anos de abertura onde o que se abre é
apenas o nosso mercado sem nada, ABSOLUTAMENTE NADA, em troca.
Alguém duvida que, se tivermos uma ampla reforma tributária, que
favoreça a produção de bens a preços competitivos, como por exemplo,
eletrônicos, computadores ou carros (só para ficar no assunto do
site), logo, logo teremos algum tipo de barreira para nos impedir o
acesso a outros mercados? CHEGA DE HIPOCRISIA: que se defendam os
interesses nacionais a ferro e fogo, pelo amor de Deus.
Deste jeito seremos, realmente, exportadores de bananas e recebedores
das bananas dos europeus, americanos, asiáticos nas nossas meninas, produzindo
excelentes bastardos para continuar recebendo o título de cucarachas
e sustentando o "alto padrão de vida" dos países de primeiro
mundo. Padrão este que não se repete em suas relações
internacionais, aleijando de toda a forma possível a possibilidade de
desenvolvimento dos países subdesenvolvidos.
SUBDESENVOLVIDA É A ATITUDE DOS NOSSOS GOVERNANTES, QUE SATISFAZEM
QUALQUER EXIGÊNCIA DOS "MERCADOS", SEM A MENOR COMPETÊNCIA
OU VONTADE DE FAZER O QUE FOR MELHOR PARA NÓS, BRASILEIROS.
Vocês sabiam que a Alemanha é um dos maiores exportadores de café do
mundo? Adivinha onde eles compram o café baratinho, processam e vendem
com um lucro ENORME.
Eduardo Teixeira Küll
Ribeirão Preto, SP
kull@ribermail.com.br
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