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Palavra do Leitor

A embriaguez do triunfo

Rubinho na Hungria: vitória, teu nome
às vezes é alienação

por Alexandre Viana

Barrichello ganhou o GP da Hungria. Todo mundo viu Michael Schumacher abrir as asas para não deixar que ninguém chegasse perto de Rubinho. Foi ou não foi um deslavado "chaveco"? A imprensa alemã, unânime, qualificou a prova como uma farsa. A Ferrari manipulou a disputa, o circuito inteiro, escalando Schumacher como "fiel escudeiro" de Rubinho. Pois a imprensa cantou a corrida dele como deslumbrante, digna de manchetes regadas a champanhe.

O próprio Rubinho negou no site oficial da Ferrari que a equipe tenha dado ordens a Schumacher para que o deixasse vencer a prova : "Não houve ordens, simplesmente seria um risco desnecessário o Michael tentar alguma coisa numa pista como aquela", afirmou Barrichello. Mas não foi o que se viu na pista. Durante os dois pit-stops do brasileiro, ele voltou à pista em uma situação em que poderia ter sido ultrapassado pelo alemão, mas em ambas as oportunidades Schumacher pareceu ter tirado o pé.

Nelson Piquet, ao analisar a prova, afirmou: (...) O presente ficou para o Rubinho. Foi a vez do Schumacão se conter e deixar a vitória para o seu companheiro. O alemão até brincou e no final da prova fez a volta mais rápida só para mostrar que poderia ter passado se quisesse. (...)".

Claro que toda vitória tem seu mérito e isso não pode ser negado ao Barrichello. O que incomoda é este "clamor" nacional procurando dar um valor ainda maior à conquista de um GP em uma temporada já completamente decidida. A única conceituação cabível é: bom para a estatística e ruim para a história.

Resumindo: vitória, teu nome às vezes é alienação.

Alexandre Viana
Brasília, DF
xsanderdasher@aol.com

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