| por
Bruno de Souza Corrêa |
Hoje cheguei no trabalho
uma hora mais cedo, como sempre faço, e parei para ler o jornal.
Deparei-me com uma notícia recorrente, em se tratando de Brasil,
amparada em uma "explicação" também recorrente sobre o
fato. A notícia era a seguinte: "Combustíveis podem ter aumento
de até 15%".
Ao ler o texto subsequente, encontrei as mesmas razões apresentadas
para os aumentos anteriores. É preciso acompanhar a alta do dólar e o
preço do barril (em dólares) no mercado internacional. Pois nunca,
nunca mesmo, consegui achar uma explicação plausível para essa
correlação. Já enviei carta à Petrobras indagando sobre por que
temos que bancar valores estrangeiros por este produto 80% nacional.
Recebi uma resposta, o que já foi surpreendente, mas o que havia lá
era um grande jogo de palavras que não respondia nem de longe a minha
pergunta, numa clara demonstração de que a Petrobras não está nem aí
por dar satisfações ao cidadão. Então, persiste a questão: por que
temos que absorver integralmente os repasses das variações do dólar e
dos preços internacionais do petróleo se consumimos apenas 20% do
produto importado?
Que matemática é essa? Será que nossa moeda é o dolar, mas ainda não
avisaram aos nossos contra-cheques? Aliás, quase todos os produtos que
consumimos estão atrelados ao dólar e têm seus preços alterados à
medida que variam as cotações da moeda americana. Como pode ser isso,
se eu ganho meu salário em (sur)reais?
Ainda sem saber quem poderá aplacar a minha dúvida, finalizo este
testo expondo minha total concordância com o que escreveu o compatriota
Eduardo Teixeira Küll no texto Carro e Frango.
Ao lê-lo, desfrutei a agradável sensação de saber que (sobre)vivo em
um país que exporta (se não houver embargo, logicamente) minério de
ferro, a "x" reais por tonelada, e importa o aço moldado em
produtos de alta tecnologia a "1000x" reais por quilograma.
Eu juro que tento, mas já não sei onde mais procurar uma razão para
me orgulhar deste país.
Bruno de Souza Corrêa
Rio de Janeiro, RJ
brcorrea@hotmail.com
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