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Palavra do Leitor

Já decidiu qual carro comprar?

Como dar o passo anterior à compra: a escolha do veículo

por Flavio Moll

Com certeza você já leu em revistas, jornais e sites dicas de como comprar um veículo. Essas dicas referem-se ao estado do veículo e seus componentes mecânicos, quando se trata de usados. Quando o assunto trata de zero km, as dicas procuram orientá-lo quanto ao financiamento, prazos de entrega, credibilidade do estabelecimento e principalmente preços mais baixos.

Por mais que o automóvel seja um bem de consumo, no Brasil ele não é adquirido dessa forma, por questões culturais e até pelo custo que gera, entre impostos, despesas com manutenção, equipamentos, seguros, etc. Portanto, quando decidimos comprar um novo carro, geralmente ficamos com ele no mínimo dez meses.

Para muitos o automóvel está presente no seu dia-a-dia e neste caso a escolha do modelo e seus acessórios torna-se mais fundamental ainda. Afinal, quem vive em cidades como São Paulo, não é difícil passar uma hora e meia dentro do seu carro para voltar para casa, no fim da tarde.

A escolha do automóvel ideal depende fundamentalmente do usuário principal e devem ser considerados diversos aspectos.

O primeiro deles é quantas pessoas utilizam o carro com maior freqüência, ou seja: se você roda 90% do tempo sozinho, não faz sentido ter um Renault Scénic ou GM Zafira. Na verdade você nem precisa de um carro de 4 ou 5 portas.

O local onde você mais utiliza o veículo também é muito importante, pois quem roda sempre em centros urbanos precisa de um carro ágil, fácil de estacionar e com um motor de cilindrada pequena ou média. Aqui encontramos um grande paradigma. Nem sempre um veículo de baixa cilindrada, os populares 1.0, é mais econômico que um outro equipado com motor 1.3, 1.4 ou 1.6. Pergunte a outros proprietários o consumo de seus veículos e compare com o seu. Vários proprietários de carros 1.0 me disseram que têm obtido consumo em torno de 10 km/l e já vi casos de motores de cilindrada um pouco maior obterem marcas de 11 a 12 km/l.

O que você carrega no seu carro é mais um item a ser considerado. Pessoas que trabalham com o próprio carro e precisam transportar produtos, amostras, etc. (vendedores ou representantes comerciais) devem possuir um veículo com porta-malas compatível. Descarte, portanto, carros como Ford Ka, GM Celta, Fiat Uno, Renault Twingo, etc.

O status que o seu carro representa é mais um aspecto. Imagine que você circula por regiões conhecidas por assaltos freqüentes com um novíssimo Audi A3. Vai parecer que quer ser assaltado. Há carros que chamam mais atenção mesmo que não sejam tão caros. Compare um Audi A3 1.6 básico com um GM Vectra CD 2.2 16V completo. Este último é consideravelmente mais caro, porém o A3 passa a “imagem” de mais status, chamando mais atenção.

O assunto segurança já nos faz lembrar do seguro. Cada vez mais necessário, o seguro do veículo pode chegar a custar 30% do valor do carro. Carros como o Fiat Stilo, Ford Focus, VW Golf, GM Astra, Audi A3, Renault Mégane e Peugeot 307 concorrem no mesmo segmento e, dependendo dos opcionais, têm preços aproximados, porém o valor do prêmio do seguro pode variar até 200% de uma modelo para outro. Portanto, consulte diversas cotações em várias seguradoras antes de decidir pela compra, afinal você pode se surpreender com alguns valores.

Já que falamos de opcionais, estes podem ser adquiridos originais (quando o veículo já sai equipado com eles da linha de montagem) ou no pós-venda, em concessionárias ou lojas de acessórios. Lembre-se que estamos no terceiro milênio, portanto carros de luxo sem vidros elétricos, direção assistida e ar-condicionado nem pensar! Também considere que muitos acessórios, além de proporcionarem conforto, trazem segurança à condução. Como é caso do climatizador de ar, que por permitir que você circule de vidros fechados em dias quentes, lhe traz mais segurança. Na hora da venda do veículo estes equipamentos também são levados em conta.

Também vale lembrar que as películas escurecidas para vidros, além de melhorarem a temperatura interna do veículo, dão um pouco mais de segurança.

Embora eu tenha sugerido diversas diretrizes para você eleger seu carro, uma delas (talvez a mais decisória) foge da razão. Como todo brasileiro é apaixonado por carros, o gosto pessoal impera na hora da compra. Conheço um representante comercial que não transporta nada e roda sozinho por São Paulo em uma GM Silverado a gasolina! Ele tem paixão pela picape.

Espero que essas dicas lhe ajudem a definir seu próximo veículo. Boas compras!

Flavio Moll
São Paulo, SP
flaviomoll@yahoo.com.br

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