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Palavra do Leitor

Muitos modelos, poucas opções

Precisamos de mais veículos pequenos com
bons padrões de potência, qualidade e confiabilidade

por Fernando Farina Nunes Vieira

Estava discutindo com minha noiva sobre que carro poderíamos comprar, visto que tenho um Kadett GL 94, mas gostaríamos de adquirir um veículo zero-quilômetro. Como um casal sem filhos, acreditamos que o ideal seria um carro pequeno, de preferência hatchback, mas com um motor de verdade e não esses brinquedinhos 1.0.

Começamos a analisar as opções existentes pelo Palio 1.3. Desisti porque apresentou problemas de formação de borra de óleo lubrificante no cárter e nas partes móveis do motor. A segunda opção foi o Gol 1.6, que tem um projeto antigo e em pouco tempo deve deixar as linhas de produção. Aí pensei no Fiesta, que tem acabamento muito espartano, muito aquém do padrão Ford dos anos 80 e início dos anos 90, quando era considerado exemplo em acabamento (basta comparar o acabamento do painel de um Fiesta 2002 e de um Escort 93).

Nesse ponto sobrou Corsa 1.8, com péssima relação r/l que o torna anti-prazeroso ao dirigir. Partindo para os recém-nacionalizados ou provenientes do Mercosul, temos Peugeot 206 1.6, que já não é de hoje que se fala no péssimo atendimento pós-venda de Peugeot e Renault, além de várias reclamações desse carrinho por ser barulhento.

Saindo dessa faixa e pulando para uma de preço mais elevado, temos o Golf (seguro mais caro de todos os carros que eu já vi), Astra, também com o motor 1.8 e 2.0, e ainda Stilo e Polo, que ainda não passaram por um teste exaustivo de resistência para que possamos ter um bom parâmetro de comparação.

Aí, a conclusão a que chego é que o brasileiro tem que se contentar e comprar a opção menos pior quando quer adquirir um carro zero.

Lembro-me ainda da época em que meu pai queria comprar um carro zero e a dúvida existia pela grande quantidade de veículos de mesmo padrão e com qualidades (Monza, Corcel II, Del Rey, Tempra, Santana, além dos pequenos, que também tinham boa qualidade). Tenho a impressão que as montadoras não sabem enxergar o que o brasileiro quer e empurram a nós o que eles querem produzir, por nos deixarmos sem outra opção.

Seria assim tão complicado a GM usar o motor 1.4 que é exportado para a Europa e México nos Corsa e Celta nacionais? Ou mesmo o Fire 1.3 da Powertrain (não sei se esse também tem problemas com borra de óleo)? E a Ford? Não poderia melhorar o acabamento do Fiesta? Será que a Fiat vai resolver o problema do Fire 1.0 como fez quando descobriu problemas no Fiasa 1.5? Quando será que vão respeitar o consumidor? E a Peugeot? Quando vai melhorar o atendimento aos clientes? Já ouvi de muita gente que comprou Peugeots e Renaults que não volta a comprar dessas marcas quando for trocar de carro de novo.

Se as montadoras aqui no Brasil fabricam muitas versões diferentes das que temos no nosso mercado só para exportação, qual seria o problema de oferecê-las ao mercado brasileiro?

Fernando Farina Nunes Vieira
Campinas, SP
real_faris@yahoo.com

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