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Li recentemente (março)
que as montadoras novamente estão pedindo ao governo incentivos
fiscais. Isto é um absurdo. Desde a década de 50, com Juscelino Kubstchek,
até hoje, todos os governos favorecem as montadoras e a indústria
automobilística. Quando essa indústria vai andar com as próprias
pernas?
Vivem reclamando que não conseguem escala de produção para reduzir o
preço final de venda. Vivem reclamando dos impostos (que realmente são
abusivos). Vivem reclamando dos sindicatos dos metalúrgicos. É e
sempre será a mesma choradeira dos últimos 50 anos.
O governo deve parar de incentivar essa indústria, que é estrangeira e
que exporta seus altos lucros para seus países sem retribuir na mesma
proporção ao Brasil. O governo deveria, sim, incentivar uma indústria
automobilística brasileira, que realmente estaria comprometida
(lembram-se da Gurgel e outras que faliram por não terem o mesmo
incentivo das multinacionais?). Esta deveria fabricar carros de
qualidade, mas que também tivessem preço adequado ao poder aquisitivo
do consumidor brasileiro.
Também acho estranho a choradeira de muitos consumidores que vivem
reclamando dos carros 1.0, que eles são lentos, que não têm opcionais
de conforto, etc. O que esse pessoal não entende ou não quer ver, é
que infelizmente vivemos num país rico com população de pobres. Quem
pode comprar um carro zero é uma pequena parcela desta população. Um
carro 1.0 que custa R$ 15.000 é caro, mas outro com motor 1.6 ou 2.0
custaria até o dobro deste valor. Então o 1.0 novo já é um
"luxo" para grande parte desta população.
Um carro "popular" deveria custar por volta de R$ 7.000. Preço
este praticamente impossível para as montadoras hoje instaladas no
brasil. Devido aos seus custos fixos elevados, impostos e lucros
embutidos. Infelizmente acho que não veremos mudanças neste panorama
para breve.
Walter G. Pereira
São Paulo, SP
pereirawg@ig.com.br
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