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Palavra do Leitor

E o brasileiro ri

por Henrique de Campos

Imbecil. Este deve ser o termo que as montadoras brasileiras usam para definir seu consumidor. E algumas ainda dizem que nossos modelos estão "alinhados mundialmente". Alinhados em nome e olhe lá. O resto sempre é pior ou muito pior: acabamento, opções de motorização, versões. E o preço? Ah! Esse não tem jeito. Absurdos aumentos mensais, bimestrais, trimestrais. O consumidor brasileiro leva gato por lebre.

A Honda na minha opinião é a primeira. O Civic é lixo a preço de luxo: acabamento péssimo para a categoria, design sem nenhuma personalidade, suspensão que é um retrocesso em relação à versão antiga, preço, uma geringonça. Pior que tiveram coragem de anunciar a tecla de acionamento do vidro do motorista iluminada como uma das grandes novidades do modelo. E como sempre copiam, misturaram elementos circulares nas lanternas traseiras (idem VW Passat), onde o resultado virou uma festa de cores e elementos dignos de um carro do Bozo.

E o novo Accord? Não é feio, mas o preço o torna pra lá de ordinário. Onde já se viu um carro destes custar mais que um Alfa 147? Tecnologia ele tem, mas não chega aos pés desse italiano. E o design new edge versão Honda? Lamento, senhores executivos da Honda, mas não convenceu. Um Focus com grade diferente e traseira de barca americana... Uma mistura das mais indigestas. Foi a maior prova da falta de criatividade dos designers orientais. É verdade que a Ford fez escola com este design, pois o mundo copiou. Mas tão descarada e DESGRAÇADAMENTE como a Honda está pra nascer.

E agora chegou o medíocre Honda Fit. Uma carrocinha de acabamento paupérrimo, com cara de Ka sem ter 10% de sua originalidade. Tão pouca coisa por 34.000. Tô sentindo cheiro de fracasso. Honda Fit a preço de  Focus e de Golf não pode dar certo NUNCA.

E nossa querida campeã de satisfação junto ao consumidor, a Renault? Brasileiro se contenta com pouco mesmo. Na Europa o Clio foi reestilizado por fora e por dentro. Aqui a coisa não passou da porta da rua. Cara de carro novo, painel de carro velho. E fica aí se vangloriando por dizer que seus carros satisfazem o consumidor. Espero que ela não demore a trazer os espetaculares (apesar de bizarros) Megane para o Brasil.

A Chevrolet realizou uma manobra esquisita: deixou o Astra brasileiro muito mais atraente que o europeu e conseguiu piorar o acabamento interno, que já era podre. Quem viu a versão GSI sabe do que estou falando. Uma salada de texturas e cores que me faz crer que a estilista de interiores estava cega e no escuro ao decidir pelos materiais. Como pode tanto mau gosto caber na cabeça de uma só pessoa?

E o idoso Vectra? Se o seu estilo ainda engana sua idade, seu interior é pior que o de um Polo ANTIGO. E o precinho nas alturas não deve segurar essa relíquia por muito tempo. E quando essa hora chegar, as coisas realmente irão piorar. Por mais que digam que não, seu substituto mais provável é o novo e horrendo Vectra europeu. Como será que o centro de design de uma GM permite que um modelo tenha design mais antiquado que seu antecessor?

O aclamado Fiat Stilo seria mais aclamado ainda se sua realmente estilosa versão viesse ao Brasil: o duas portas. Muitos amigos desconhecem que a Fiat possui este modelo em outros países. O Astra levou 4 anos para ganhar duas portas adicionais e sempre vendeu bem. Esse então... o estilo é único, original, agressivo. Um duas portas realmente diferente  dos pés à cabeça: tetos mais baixo, lanternas, pára-choques, spoiler, pára-lamas. Mas não vem pra cá. Quem deveria ficar por lá é a Station Wagon... horrorosa que só ela.  Fiat, pense com carinho, hein!

Palhaçada. E o brasileiro ri.

Henrique de Campos
São Paulo, SP
hcampos01@hotmail.com

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Data de publicação: 3/5/03