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Há poucos dias atrás li
mais uma das inúmeras notas jornalísticas que avisam sobre o possível
fim do Golf brasileiro, que segundo a Volkswagen, dar-se-ia por causa da
inviabilidade de manter um carro desta categoria sendo fabricado em
nosso país.
Fez-me lembrar a desculpa "esfarrapada" dada pela General Motors em
agosto de 1998, quando do encerramento da produção do Omega nacional e
da oficialização da NÃO-produção do novo modelo, que até hoje mantêm-se
importado. Gostaria muito de saber o que se passa dentro dos QGs das
marcas instaladas no nosso país para considerarem-se "Deusas" em poderem
decidir o que temos e o que não temos capacidade de produzir.
Como podem dizer que não há perspectivas de ganhos com tais modelos,
sendo que mesmo com a crise mundial, podemos muito bem aproveitar para
explorar novos mercados e assim mantermos linhas de produção de
automóveis já consagrados (agora em suas novas gerações)?
O fim do Golf será sentido sim, pois hoje o modelo ainda ocupa um posto
cobiçadíssimo no Brasil: "O Carro mais desejado do país". É bem verdade
que os anseios por um Golf, por parte dos consumidores, já foram
maiores, porém ainda hoje o modelo é bem conceituado e sua falta será
sentida, visto que como ocorrido com o Omega, provavelmente o novo Golf
(importado) virá muito mais caro e portanto inacessível a grande parte
da população, exatamente o que aconteceu com o luxuoso sedã da GM no fim
dos anos 90.
Protesto contra o "pseudodireito" ao qual as marcas se dão para decidir
sobre o que e até quando fabricar aqui. O Polo certamente terá que
suceder o Golf, já que muitos proprietários não terão condições
financeiras para migrar para a 5ª. geração do médio, e é aí que sairemos
perdendo, pois por melhor que seja, o Polo é e sempre será um carro
pequeno.
Talvez a indústria brasileira queira sim uma miniaturização do carro
brasileiro, cada vez mais abdicando de categorias famosas por seu
custo-benefício. Os carros grandes se foram, os médio-grandes (hoje com
Vectra e Santana com os últimos dos moicanos) estão acabando e os médios
já começam a ser prejudicados pela teoria do "achismo" apregoada pelas
industrias aqui instaladas.
Porém, talvez "o tiro saia pela culatra" dentro da estratégia da VW de
colocar o Polo para abocanhar os consumidores do Golf. A concorrência
está mais viva do que nunca, e o consumidor, em tempos de dinheiro
curto, está analisando muito melhor a famosa relação "custo-benefício"
de cada modelo antes de adquiri-lo. É aí que Fiat Stilo, Ford Focus e o
(já razoavelmente defasado) Chevrolet Astra abocanharão os donos de
Golf.
Lamento pela VW, que se encerrar a produção do Golf estará pondo fim
também aos grandes horizontes que este modelo poderia atingir, caso a
marca realmente estivesse disposta a apostar em sua continuidade (sem, é
claro, defasagem perante o mundo, NÃO MAIS do que já vivemos
atualmente).
"Grandes carros" (uso o "grandes" no sentido de marcos de nossa
indústria) como os Chevrolets Monza, Omega, Opala; VW Santana (perto do
modelo que temos atualmente) se foram e sobrevivemos. Presumo que
sobreviveremos também ao fim do Golf, mas certamente será uma perda
lamentável, não só para a indústria nacional, que fica "subjugada" como
"incapaz de manter um modelo deste porte", bem como para o consumidor,
que terá seu leque de opções (já não tão vasto) ainda mais reduzido.
Sérgio Passos
São Bernardo do Campo, SP
citroends21_pallas@yahoo.com.br
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