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Palavra do Leitor

O fim do VW Golf

Protesto contra o "pseudodireito" de as marcas
decidirem sobre o que e até quando fabricar aqui

por Sérgio Passos

Há poucos dias atrás li mais uma das inúmeras notas jornalísticas que avisam sobre o possível fim do Golf brasileiro, que segundo a Volkswagen, dar-se-ia por causa da inviabilidade de manter um carro desta categoria sendo fabricado em nosso país.

Fez-me lembrar a desculpa "esfarrapada" dada pela General Motors em agosto de 1998, quando do encerramento da produção do Omega nacional e da oficialização da NÃO-produção do novo modelo, que até hoje mantêm-se importado. Gostaria muito de saber o que se passa dentro dos QGs das marcas instaladas no nosso país para considerarem-se "Deusas" em poderem decidir o que temos e o que não temos capacidade de produzir.

Como podem dizer que não há perspectivas de ganhos com tais modelos, sendo que mesmo com a crise mundial, podemos muito bem aproveitar para explorar novos mercados e assim mantermos linhas de produção de automóveis já consagrados (agora em suas novas gerações)?

O fim do Golf será sentido sim, pois hoje o modelo ainda ocupa um posto cobiçadíssimo no Brasil: "O Carro mais desejado do país". É bem verdade que os anseios por um Golf, por parte dos consumidores, já foram maiores, porém ainda hoje o modelo é bem conceituado e sua falta será sentida, visto que como ocorrido com o Omega, provavelmente o novo Golf (importado) virá muito mais caro e portanto inacessível a grande parte da população, exatamente o que aconteceu com o luxuoso sedã da GM no fim dos anos 90.

Protesto contra o "pseudodireito" ao qual as marcas se dão para decidir sobre o que e até quando fabricar aqui. O Polo certamente terá que suceder o Golf, já que muitos proprietários não terão condições financeiras para migrar para a 5ª. geração do médio, e é aí que sairemos perdendo, pois por melhor que seja, o Polo é e sempre será um carro pequeno.

Talvez a indústria brasileira queira sim uma miniaturização do carro brasileiro, cada vez mais abdicando de categorias famosas por seu custo-benefício. Os carros grandes se foram, os médio-grandes (hoje com Vectra e Santana com os últimos dos moicanos) estão acabando e os médios já começam a ser prejudicados pela teoria do "achismo" apregoada pelas industrias aqui instaladas.

Porém, talvez "o tiro saia pela culatra" dentro da estratégia da VW de colocar o Polo para abocanhar os consumidores do Golf. A concorrência está mais viva do que nunca, e o consumidor, em tempos de dinheiro curto, está analisando muito melhor a famosa relação "custo-benefício" de cada modelo antes de adquiri-lo. É aí que Fiat Stilo, Ford Focus e o (já razoavelmente defasado) Chevrolet Astra abocanharão os donos de Golf.

Lamento pela VW, que se encerrar a produção do Golf estará pondo fim também aos grandes horizontes que este modelo poderia atingir, caso a marca realmente estivesse disposta a apostar em sua continuidade (sem, é claro, defasagem perante o mundo, NÃO MAIS do que já vivemos atualmente).

"Grandes carros" (uso o "grandes" no sentido de marcos de nossa indústria) como os Chevrolets Monza, Omega, Opala; VW Santana (perto do modelo que temos atualmente) se foram e sobrevivemos. Presumo que sobreviveremos também ao fim do Golf, mas certamente será uma perda lamentável, não só para a indústria nacional, que fica "subjugada" como "incapaz de manter um modelo deste porte", bem como para o consumidor, que terá seu leque de opções (já não tão vasto) ainda mais reduzido.

Sérgio Passos
São Bernardo do Campo, SP
citroends21_pallas@yahoo.com.br

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Data de publicação: 15/7/03