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por Antonio Wilson Eutrópio Azevedo de
Souza |
Lia despreocupadamente
neste site a notícia que o Celta será exportado para a Argentina quando
me dei conta de que o consumidor brasileiro realmente é desrespeitado em
todos os sentidos. Vejamos: o Celta vai para lá com um câmbio que sem
dúvida o torna bem mais econômico e silencioso (importante em um carro
com pouco revestimento fonoabsorvente, já que é para ser mais “barato”
ou “popular” e que por isso mesmo deve consumir pouco), mesmo que
deprecie um pouco o desempenho (resolvível com as três primeiras marchas
mais curtas). Aqui ele berra em estradas e não faz a economia que
poderia (ou deveria).
Vamos a um exemplo: possuo um Palio Weekend 1.5 a gasolina, que bebe
como um V-6 (6 a 7 Km/l, apesar de já se ter gasto muito dinheiro com a
injeção -- diz-se normal), e grita a umas 4.000 rpm aos 110 km/h. Nem
pense que por isso o desempenho é bom: como o motor é “curto”, assim
como o câmbio, rapidamente preciso de uma marcha superior. Sempre dá a
impressão de que precisa duma sexta (que não existe). Uso a quinta como
se fosse quarta.
Mas o câmbio é só a ponta do iceberg. Em quase todos os outros itens
relacionados à compra de um carro somos desrespeitados, do
ar-condicionado que vem com aquecimento (inútil em Belém, por exemplo)
ao alarme que fecha tudo mas não tem acionamento à distância, sem
mencionar outros inúmeros itens importantes que vêm compulsoriamente
anexados a outros de menor valor.
Se seu carro tiver um defeito de fábrica, então, meu amigo, é melhor
rezar! Nem falemos dos preços! Que mercado é esse o de automóveis, que
mesmo estando o consumidor afastado por causa do valor exagerado dos
carros novos, continua a aumentar os preços e reclamar da baixa demanda?
È ilógico e deixa uma ponta de desconfiança sobre se há mesmo
concorrência entre eles.
O mais interessante de tudo é que quase ninguém tenta fazer algo. Este
site e outros meios semelhantes tentam, assim como alguns consumidores
lesados, mas os fabricantes (os que vendem) nos ignoram solenemente (os
que compram), e dão a impressão que seus representantes devem ter no
rosto aquela risadinha cínica, falsa, juntamente a um olhar de pena,
representação fiel do desrespeito aos direitos do consumidor e da
certeza de impunidade advinda do poderio econômico e da frouxeza de
nossos representantes. Imagino-os pensando: “comprou, agora é problema
seu, mané!”
Verdade... me sinto um Mané! Quem aí também?
Antonio Wilson Eutrópio Azevedo de Souza
Belém, PA
awatenor@msn.com
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