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por Gustavo
Carvalho do Carmo |
No início da indústria
automobilística e durante o período de reserva de mercado imposto pela
ditadura militar, um carro apresentado em seu país de origem levava em
média cinco anos para chegar ao Brasil. Hoje é muito bom ver na
imprensa européia (primeiro a internet, depois os jornais e as revistas)
o lançamento de carros que os brasileiros já compram há meses. Sinal de
que o nosso país está se tornando uma vitrine para a indústria
automobilística da Europa.
Só neste ano já foram dois. Primeiro com o Meriva, lançado com toda a
pompa no início do ano no Velho Continente, enquanto um proprietário
brasileiro já estava há quatro meses com a minivan compacta na garagem.
Mais recentemente, o Polo Sedan.
O Meriva já é um sucesso e personagem de vários comparativos na imprensa
européia. Na Automotor portuguesa enfrentou o Ford Fusion (o
EcoSport com cara de perua luxuosa deles) e o Hyundai Matrix,
desconhecido entre nós. Esta semana, o carro da General Motors foi
desafiado pelo Toyota Corolla hatch (versão inexistente no Brasil) e os
nossos conhecidos Peugeot 307 e Astra num comparativo na revista alemã
AutoBild.
Oito meses depois é a vez do Polo Sedan ser apresentado a imprensa
européia. Estranha um pouco ver o sucessor do saudoso Voyage com as
rodas do modelo hatch, já que o Polo Sedan brasileiro tem rodas de liga
leve exclusivas. Mas emociona ver a placa alemã instalada na traseira do
carro.
É que o Polo Sedan no mercado europeu tem mais impacto do que o Meriva.
Este foi mesmo projetado para o exterior. As minivans são adoradas por
lá e o Brasil só serviu de Premiére Mundial. Mas o Polo Sedan foi
pensado para o mercado brasileiro e de países emergentes como Argentina,
México e China, mas na Europa Ocidental (exceto na Espanha) os
três-volumes são meio rejeitados. Nos países do leste como Bulgária,
Hungria e República Tcheca são um sucesso (vale lembrar que o Renault
Clio Sedan nasceu na Turquia).
O mais estranho ainda será ver tanto o Meriva como o Polo Sedan
equipados com motor a diesel, estofamentos coloridos (como o vermelho do
Meriva) e, claro: equipamentos bem mais sofisticados que os nosso, como
airbags laterais e de cabeça e sistema de navegação.
A premiére brasileira de Meriva e Polo Sedan não foi a primeira nem a
última dos modelos de multinacionais.
A primeira foi do Chevette em 1973, dois anos antes do fim das
exportações. Nos anos 80, Prêmio e Elba fizeram a festa por lá com o
nome de Duna e Duna Weekend. Na década passada, a Palio Weekend e a
Strada chegaram aos principais mercados europeus (exceto na Inglaterra)
e o hatch é vendido na Itália. Os carros da Fiat são os que mais
orgulham o brasileiro, pois foram e são fabricados aqui e exportados
para lá.
Falando em exportação, a Premiére Brasil deve continuar nesta década,
pois em breve chegará o Fox, que também será exportados para o
continente que inspira a nossa frota de veículos.
Esse privilégio de testar os carros que os europeus vão dirigir, ao
mesmo tempo que levanta a auto-estima de nossa indústria, também pode
ser prejudicial. Pois o Brasil está se tornando especialista na produção
de carros pequenos. O Omega já sumiu faz tempo. O nosso Vectra, que na
geração atual chegou seis meses depois do europeu, já está com dois anos
de defasagem e vai ficar assim até envelhecer bastante e perder mercado.
É quando a GM vai decidir se importa ou se convence a fabricar a nova
geração.
O Astra já tem a sua renovação discutida e devemos perder os novos
médios A3 e Golf. Será que o Brasil vai virar pólo produtor mundial de
veículos compactos, virando escravo das matrizes das montadoras, ou em
breve teremos uma frota semelhante ao que a Fiat tinha em seus primeiros
tempos de Brasil?
Gustavo Carvalho do Carmo
Rio de Janeiro, RJ
gustavocarmo@ajato.com.br
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