Best Cars Web Site
Palavra do Leitor

"Basicalização" na GM

Um termo cada vez mais presente no mercado brasileiro

por Fabiano Navas Giaretta

Engraçado como itens são tirados e colocados nos veículos e o consumidor nem ao menos nota. Trabalho na rede Chevrolet, e sempre fui um grande admirador do mundo automobilístico, e por isso mesmo vou me focar nessa marca para explicar o termo "basicalização".

Quando um cliente vem me perguntar o quanto custa um modelo qualquer novo e informo o preço, a primeira reação do cliente é a pergunta: Mas tudo isso é o preço do modelo básico mesmo?

Sim, o pior é que é. Na atual situação de mercado, básico quer dizer rodas, pneus, volante, bancos, vidros, e carroçaria. E só...

Não é necessário voltar muito no tempo para ver o quanto de opcionais e acessórios foram retirados dos carros. Sempre tive a vontade de mostrar isso ao consumidor, com a finalidade de ele, como comprador do veículo, possa reclamar junto aos fabricantes o como seu veículo piorou.

Enumerando as mesquinharias da Chevrolet, só dela por enquanto, que isso sirva para uma reflexão de que carro novo não significa um novo carro, pois às vezes, o carro antigo pode ser melhor, e mais completo! Primeiramente, falaremos do Celta. Quando foi lançado, alguns itens eram de série, e acabaram sendo extinguidos sem opção de se pagar a mais para tê-los, mesmo que o cliente assim queira.

Sabe aquelas cordinhas de sustentação do tampão do porta-malas? Eram flexíveis, como no Astra. Tornaram-se cordas, na expressão real do termo. Os cintos traseiros retráteis? Tornaram-se fixos, pelo menos só no modelo de 3 portas (Aliás, maldita Fiat, que inventou a moda! Economia porca!). Outra coisa que foi retirada é a preparação para som... Nem fiação mais é opcional. Alça de segurança dianteira? Era de série... agora, só na mais cara, a Super.

Mudando para a família Corsa... No Classic, que saudades que tenho dos Sedan GLS, ou mesmo do mais simples Milenium. Olha só, até a regulagem de altura dos apoios de cabeça passaram a não existir mais, a exemplo do Celta, que só oferece no banco traseiro essa regulagem. Bancos revestidos totalmente em tecido? Pra quê? Afinal, temos, a exemplo da arcaica Kombi, o vinil para revestir a parte traseira dos bancos, e laterais deles. Pior: essa pobreza foi estendida à nova família Corsa e até à cara da Meriva. Parabéns, Chevrolet... Conte comigo.

Regulagem de altura dos cintos traseiros de 3 pontos. Só ficou a fixa mesmo. Pára-brisa degradê? Não há mais a necessidade. Inventaram o insulfilme, né! Luzes no porta-luvas e porta-malas, até o primeiro Classic, sem ser o VHC, era de série, assim como os espelhinhos tão úteis de quebra-sol, que são opcionais, e apenas no lado do passageiro, que motorista macho não usa pra nada, certo?

Vamos à nova família Corsa. Quem ainda se lembra do slogan que a GM usou no lançamento dele? Algo como um carro com QI maior que os outros... Pois bem, ele perdeu quase que todo seu QI. Assim como no Classic, vidros elétricos traseiros não eram necessários, e não traziam competitividade para o mercado! Vejam bem, foi essa desculpa podre que a GM usou quando os retirou: a de que o pacote elétrico deles ficava muito caro. Respondam: e vocês acham mesmo que o preço ficou mais barato? Nãooooo, ele ficou mais caro ainda.

Falando da parte elétrica, o travamento dos modelos 1.0 passou a ser semelhante ao do Astra, de projeto mais simples. Passaram a utilizar a mesma chave (a corujinha). Nesse sistema, luxos como o acionamento automático do limpador traseiro ao se engatar a ré com o limpador dianteiro ligado, duplo travamento por controle remoto, travamento da portinhola de combustível e alarme com sensor ultra-som viraram coisas do passado. Pelo menos pro Corsa, afinal, ele precisava se tornar competitivo...

Nossa, qual não foi minha alegria ao lançarem o Novo Corsa e oferecerem o teto solar elétrico inclusive nos 1.0? Pois é... se você quiser um Corsa com teto terá que comprá-lo na Argentina, e mesmo sendo fabricado aqui no Brasil, foi descontinuado. Limpador e desembaçador traseiros, são opcionais do pacotinho pequeno chamado Mais. Meriva perdeu o mais ridículo de um carro de 40.000 reais: a luz de cortesia do porta-malas, além das tomadas adicionais de força traseiras e o descansa-braço dianteiros do pacote luxo, ou CD. Porta-óculos tornou-se acessório. Pelo menos a preparação para instalá-lo ainda é de série.

É... depois continuo com minha lista! Ainda faltam Vectra, Astra, S-10 e Blazer.
Contem comigo!

Fabiano Navas Giaretta
São Paulo, SP - fabianonavas@uol.com.br

Página principal - Escreva-nos

Data de publicação: 8/5/04

Os artigos assinados refletem as opiniões de seus autores e não necessariamente
as do Best Cars Web Site, podendo mesmo ser contrárias às do site