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Que venham as críticas
- Opala, 30 anos


Opção de muitos durante 24 anos, hoje é
caracterizado como carro pesado e de suspensão mole

por Ricardo Dias Sacco - rids@usp.br


É possível que um carro lançado em 1969, com tração traseira, suspensão mole, bastante acima do peso (dos demais carros) e beberrão, tenha sido a opção de um grande número de pessoas durante vinte e quatro anos? Muita gente argumenta que ele foi a única opção de compra entre os "carrões de grande cilindrada e conforto" e esse seria o motivo por ter sido fabricado por tanto tempo.

Essas são algumas críticas vinculadas ao Opala, mas nem sempre tais críticas são provenientes de fatos verdadeiros. Mesmo sendo lançado em 1969, o Opala sempre integralizava itens de tecnologia ao passar dos anos, ficando sempre atualizado e até mesmo antecipando acessórios de segurança, conforto e estilo.

A tração traseira pode não ser muito bem vista nos carrinhos euro-brasileiros de hoje, mas, na indústria automobilística mundial, ainda é uma alternativa para carros de grande porte e de desempenho superdimensionado. A suspensão mole só é empecilho para quem usurpa a necessidade de dirigir em velocidade condizente com as vias públicas, pois, nas boas estradas , tal artifício torna-se altamente agradável. Afinal, nem todo proprietário de Opala é piloto de Stock Car, como pensam muitos.

O peso não é um problema do Opala, é o preço a pagar pelo excesso de conforto e segurança (um carro com mais massa se danifica menos num acidente automobilístico -- recurso que, nos carros atuais, tentam amenizar através do "efeito sanfona"). E finalmente, o consumo: muito do combustível queimado pelos motores 151 e 250, do Opala, é gasto pela transmissão da força do motor às rodas traseiras, não sendo totalmente aproveitado. Tal característica visa a robustez do conjunto diante de motores de grande cilindrada. Pensando dessa forma, o proprietário gasta em combustível e ganha em segurança, manutenção, praticidade e conforto.

Quanto às opções de mercado, ledo engano. Quantos não foram os automóveis que figuraram acima dos 2.0 litros? Desde o saudoso Simca, passando pelos Willys, sem falar dos três mosqueteiros, LTD, Galaxie e Landau, e o Maverick. Mesmo assim, se fosse a única opção, como chegou a ser por alguns períodos, não se pode vincular o sucesso do Opala apenas ao "filão" dos carrões de luxo; se fosse assim, não existiriam a Caravan e os Opalas standard e, completando, não seria o Opala 4 cilindros mais vendido do que o de 6, nesses mesmos períodos de opção única.

Aos vinte e quatro anos se aposentou com honras, afinal, nenhum carro no Brasil foi tão democrático, e justo quando não poderia ser, levando desde Presidentes da República como também participando de atos de resistência contra a ditadura. Quando de sua aposentadoria o rumor que se ouvia em São Caetano era que a engenharia da Chevrolet estava dividida entre continuar o seu coroado reinado ou desocupar lugar para uma linha de produção capaz de fabricar três automóveis no mesmo tempo que fabricava um Opala. O resultado já é o conhecido.

Mas, a história não termina aqui, muito do Opala ainda está por aí. Muitos dos itens de luxo, de série no Opala, ainda são opcionais em autos de hoje e, o mais importante, a paixão dos Opaleiros não deixa dúvida que o Opala ainda vai estar presente na vida do brasileiro por muito tempo.

Diante de tal fato, já que você chegou até aqui, talvez compartilhe desse pensamento. Então nos mobilizemos em função de uma história tão repleta de brilhos e brios e comemoremos os 30 anos do Opalão, do modo que quiser ou puder. Da minha parte, estou escrevendo essas linhas...

Ricardo Dias Sacco
rids@usp.br
São Paulo, SP


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