| Eu não gostaria de
iniciar qualquer comentário desta maneira. Muito menos
acho, no meu medíocre conhecimento, que possa induzir
alguém na compra de um auto ou outro, apenas pelo
próprio comentário (nunca comprei carro assim). O que
expus foi o meu sentimento de conduzir algo inusitado em
relação ao que se conduz hoje em dia. Terei imenso
prazer em conduzir uma Auto Union '32, campeã do então
"Campeonato da Marcas", também tenho plena
convicção de que estaria satisfeito de pilotar um
Lancia Delta HF Integrale, em sua plenitude como campeão
mundial de rallye. Mas o que tentei lhes proporcionar foi uma experiência inusitada de ter em mãos algo que não lhes oferecem hoje em dia. Ter a possibilidade de dominar algo não seja simples e auto-ajustativo. Se fosse assim, tinha lhes falado do Volvo ou do Saab (se é que ainda existe), ou ainda da nova Opel Omega V8, alemã, que até ajusta o foco do farol (direcionado) para que o motorista (até bêbado) reconheça a curva, em relação à velocidade, entre outras coisas. Assim, como dever de esclarecer, ao máximo, argumentações, tão cavalheiramente colocadas pelo senhor Evandro Menezes (leia seu texto), venho comentar suas desilusões relativas às suas expectativas, simplesmente pelo fato de ser pessoalmente citado, e ainda acreditando que exista alguma paixão no peito do amigo Evandro como opaleiro. Espero, também, que possa esclarecer também suas dúvidas quanto comprar um Opala e o que esperar desse carro realmente. Ele diz: (...) convenci meus pais e meu irmão que o Opalão seria a melhor opção depois de nos desfazermos do popular Corsa 1.0 EFI ano 1995! Veja. Você trocou um auto 95, popular, por um auto 91, de concepção antiga e fora das expectativas de um proprietário de um auto cujo desenvolvimento foi pensado há poucos anos, na expectativa de um público de outra época. Como "opalista" deveria estar ciente disso. Porém, meu pai, mecânico experiente, não se cansava de me contradizer mostrando sempre os seus defeitos ocultos debaixo daquela imagem. (...) De fato tornou-se um carro mais prazeroso de se olhar (e quem sabe andar de carona) do que propriamente se possuir e conduzir. Você não guiou o auto antes de comprar? Não obteve real informação do que esperar ante um auto diferente do Corsa? Não sentiu a responsabilidade de, antes de mais nada, guiar um carro com mais de uma tonelada e um terço? O enorme seis cilindros (...) pecava no projeto muito antigo. A potência máxima de 121 cv era atingida a somente 3.800 rpm, demonstrando baixo desenvolvimento. O funcionamento suave e seu ronco encorpado eram apaixonantes, mas não rendiam o suficiente comparando com motores mais modernos. Há projetos para todos os gostos. Algumas pessoas preferem rotação baixa e longevidade. Aliás, hoje, isso é projeto de todas montadoras americanas, promover ao cliente prosperidade motor. Comprasse um Omega 3.0 (4.1 você também não iria gostar). O câmbio, de apenas 4 marchas (só o modelo 92 possuiu 5 marchas) não contribuía em estradas (...) Um engenheiro da GMB disse, em 88, que colocar uma 5ª marcha no 250 era assinar um termo de irresponsabilidade. Se o câmbio era subdimensionado, só era para os Hot e Stock Cars, que esmerilhavam o 4 marchas, e, por isso nem o usavam. A 4ª marcha era infinita e o câmbio de 5 marchas só redistribuiu tal potência (num motor mais comportado, com carburador do Monza). Sua tração traseira seria uma vantagem se não perdurasse o arcaico eixo rígido na suspensão traseira (...) Uma acelerada mais forte poderia causar uma rodada facilmente, devido também à generosidade de torque do motor. Daí convém o condutor conhecer o limite do auto. Não vou argumentar por uma questão lógica. Seu peso avantajado afetava também a sua própria estrutura, sendo comum Opalas com suas "longarinas" rachadas e soldadas. Longarinas rachadas num Opala 91, só na Transamazônica! Quantos Opalas vocês vêem rodando por aí? Muito mais do que outros carros, não? A suspensão do Opala é tão versátil que aceita quaisquer regulagens, através de calços. É só perguntar quanto custa um amortecedor de Opala e relacioná-lo com o do Corsa, por exemplo. Outros problemas, surgiam e pioravam sua reputação. A caixa de direção hidráulica, apresentava vazamento frequënte. O ar-condicionado nunca atendeu a contento e o gás vazava. Panes elétricas, quebra do velocímetro, ruído na transmissão (...) Mais uma vez você se refere à sua experiência, generalizando. Qual foi a procedência do seu auto (não querendo ser deselegante)? Confesso que ainda sinto uma ponta de saudade, talvez do que ainda fosse sonho. Mas nada melhor que um automóvel que seja estável, que aceite seus erros ao volante e seja controlável, tenha um consumo condizente, uma robustez verdadeira e que não viva no passado. Aqui eu encerro meu comentário. Talvez eu tenha sido um pouco pesado com nosso amigo Evandro, mas, independente de questão pessoal, não quero promover o Opala como carro perfeito para todos (como nunca foi). Talvez ele tenha sido feito para um público de uma época certa, no lugar certo, e eu tenha nascido numa época errada, no lugar errado. Mas, com certeza essas pessoas podem garantir que, pelo menos, uma vez, foi num silêncio de um Chevrolet que seu coração bateu mais alto: Emmo Fittipaldi, Wilsinho Fittipaldi, Barão Fittipaldi, Joelmir Betting, Montanaro, Rivelino, Maestro Diogo Pacheco, Ingo Hoffman, Nelsinho Batista, Chico Serra (e o pessoal campeão de diversas "mil milhas", que ganhou mesmo em cima de Porsches), Marília Gabi Gabriela, Expedito Marazzi e Ayrton Senna; publicamente opaleiros. Só queria informar também que a opinião de que o Opala foi "carne de vaca" é compartilhada por, pelo menos, o departamento de marketing da GMB, que ainda, em grande parte, é o mesmo que fez grande parte das campanhas publicitárias da próprio automóvel e que a memória da história automobilística brasileira está em páginas como a Best Cars, que destina, pelo menos, 10% de suas informações quinzenais à memorabília automotiva, principalmente na seção "Clássicos". Afinal, é assim: para alguns, Opala é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente e, para outros, é um contentamento descontente. Ricardo Dias Sacco |
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