Venho acompanhando atentamente a discussão do Evandro Menezes e do Ricardo Sacco em torno do Opala. Na verdade, os dois estão certos. O que acontece é que questões como essas sempre geram polêmica, uma vez que é impossível argumentar a partir de bases diferentes. Um exemplo típico é determinar quem foi melhor piloto, se Fittipaldi, Piquet ou Senna. Os três foram excelentes nas suas épocas -- deram ao Brasil oito títulos mundiais --, mas não dá para imaginar os três numa mesma corrida, cujo resultado seria imprevisível. Na questão dos automóveis também é assim. Lembro-me de uma viagem aos Estados Unidos, em 1974, em que tive a oportunidade de dirigir um dos carros dos meus sonhos infanto-juvenis, um Mercedes-Benz 300 SL Roadster 1957. Com indescritível emoção, comecei a andar com ele. Que decepção! O desempenho era muito abaixo do que eu imaginava, a traseira saía sempre e muito em qualquer curva e os freios, nem pensar. Eu não queria acreditar. Aquele carro fantástico, maravilhoso, no qual eu me via ao volante nos meus devaneios, era pior de andar do que um Passat. Não que fosse meramente questão de projeto. O que acontece é que todo automóvel deteriora-se com passar do tempo, rode muito ou pouco. As borrachas vão endurecendo, os circuitos hidráulicos dos freios perdem a condição de novo, peças de reposição, como amortecedores e material de atrito dos freios, quase sempre são inferiores às de quando o carro estava no mercado. O carro fica parecendo outro. É por isso que acho que os dois, Evandro e Ricardo, têm razão. Um por criticar e o outro por elogiar o Opala. Por isso, cabe um conselho para os verdadeiros automobilistas como eles: só falem dos carros do passado como se lá estivessem. Julguem-nos sob essa ótica. Atravessem o túnel do tempo. Bob Sharp |
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