| por Kenny Carlos Moreira - kcm@zaz.com.br |
Mais uma vez Brasília ganha destaque por causa dos
pegas.
As autoridades já deveriam ter pensado numa maneira de
acabar com isso. E não é muito complicado. Por que não
criar um espaço para a prática de arrancadas com mais
segurança e de forma organizada? Por que não abrir o
excelente autódromo Nelson Piquet para essa prática?
Por que não dedicar uma área do autódromo para isso,
pois espaço para isso é o que não falta? É certo que
essa solução poderia não acabar completamente com os
rachas na rua, mas provavelmente iria diminuí-los em
muito.
Já não se pode mais deixar passar em branco essa
situação. Brasília possui uma população jovem muito
grande, normalmente de classe média alta, e uma grande
quantidade de carros de posse dessa população. Nos
finais de semana, andando à noite, já fui por várias
vezes intimado para correr por outros motoristas jovens
que param ao lado ou passam acelerando, ligando os piscas
e fazendo zig-zag na pista. Essa condição é conhecida
por todos aqui, inclusive a polícia, que parece ignorar
propositadamente esses dados e preferir atuar na
punição que na prevenção.
É difícil à população reivindicar esse tipo de
competição, pois ao primeiro sinal de tentativa, somos
logo reprimidos ou até punidos sob a desculpa de
incentivo à infração das leis.
Por que não criar um espaço, cobrando dos participantes
uma entrada, exigindo segurança nos equipamentos e
inscrição dos participantes junto às federações de
automobilismo, para que a qualquer infração na rua ele
perca o direito de participar do evento no autódromo?
Será que os gastos e incentivos do governo nessa área
não compensariam? Eu acho que sim. O governo
economizaria em gastos com vítimas de acidentes
ocasionados por esse tipo de competição; arrecadaria
recursos para promover esses eventos com as taxas de
participação e ingressos para o público; fortaleceria
as federações locais e nacionais de automobilismo
através da participação de uma quantidade maior de
membros; arrecadaria mais através da legalização de
carros preparados e através de IPVA especial para carros
preparados e modificados; além de outras formas
possíveis, pois o que aqui foi dito são apenas modos de
implementação, mas existem outras possibilidades.
Então, pode-se dizer que a solução existe mas depende
apenas da vontade das autoridades para ser implementada.
Ultrapassar alguns paradigmas e dispor de idéias
criativas e responsáveis, deve ser uma filosofia de vida
para quem tem nas mãos o poder de tomar decisões.
Somente pensando assim essas pessoas realmente mereceriam
ser chamadas de autoridades.
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