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A tecnologia da colonização


Mercado foi aberto sem uma estratégia de absorção da tecnologia estrangeira na indústria nacional

por Álvaro Cavalli Gastal - agastal@trt12.gov.br


A abertura de mercado brasileira deve ser fruto de leitura isenta de paixão e ódio. Pode ser vista primeiro no que diz respeito à tecnologia e em seguida no que tange ao mercado. Teoricamente, abriu-se o mercado para se adquirir tecnologia, em outras palavras nós abriríamos o mercado (pagaríamos) para que nossa indústria se reciclasse e com isso adquirisse competitividade a nível global.

Mas o que se verificou efetivamente? De maneira brusca, desenfreada, irresponsável e diria até escandalosa foi aberto nosso mercado, sem uma estratégia que permitisse a absorção dessa tecnologia estrangeira na indústria nacional. Esta não teve como bancar a aquisição e ou desenvolvimento dos novos equipamentos e aparelhagem, nem teve acesso direto ao processo de criação dessa tecnologia, uma vez que estávamos apenas importando os projetos, nunca os projetistas. Nossos meios acadêmicos foram sabotados com cortes e mais cortes nas verbas e incentivos. Pesquisa e extensão não existem na prática. Financiamentos a novos projetos nacionais mofam nas gavetas à espera de recursos.

Em contrapartida, multinacionais recebem fábulas para se instalar neste ou naquele estado, gerando meia dúzia de empregos a custos altíssimos para a sociedade. Pega de supetão, nossa indústria não teve como competir contra produtos mais modernos, produzidos em escala global (reduzindo em muito seu preço final), e como esperado (e advertido) quebrou. A prova é visível em todos os ramos. Nossas empresas de informática, nossas montadoras e diversas outras quebraram, fecharam e faliram.

Hoje em dia nós representamos uma mera república das bananas, comandada por interesses escusos, cuja função na máquina global é a de exportar matéria-prima e fornecer mão-de-obra, baratas, e sempre mais baratas o quanto se puder. Para isso deve-se diminuir o padrão de vida do brasileiro comum, acabar de vez com a classe média, extinguir o ensino público gratuito, liquidar os direitos trabalhistas (principalmente a incômoda Justiça do Trabalho), além de todas as encarecedoras garantias sociais: saúde, previdência, habitação... E por isso tudo ainda devemos pagar caro acolhendo calorosamente o capital especulativo sem pátria.

Somos escravos de um sistema de massas onde o indivíduo não tem influência nos processos e onde gênios do marketing substituem nossa pretensa democracia por algo mais conveniente, a Midiocracia. Tudo isso a despeito de nossa decente, incansável e incompetente esquerda. No final a única tecnologia que adquirimos foi a Tecnologia da Colonização.


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