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Entre o final dos anos 50 e o começo dos anos 60, o domínio
da F-1 ficou com pilotos de países de língua inglesa. Todos os campeões
mundiais entre 1958 e 1969 nasceram na Inglaterra, Austrália, Estados
Unidos, Nova Zelândia ou Escócia. Foi nessa época que brilhou Jim Clark
e que surgiu Jackie Stewart, ambos escoceses. Mas depois que Stewart se
aposentou, em 1973, a Escócia só voltou a ter um piloto de expressão em
1994, quando David Coulthard estreou na F-1.
E o caso da Oceania? Nova Zelândia e Austrália, países de grandes
pilotos nos anos 60 (incluindo os campeões mundiais Jack Brabham,
australiano, e Denis Hulme, neozelandês), atravessaram temporadas
inteiras sem representantes na categoria. E a França, que nos anos 70 e
80 revelou inúmeros pilotos talentosos, chegou a ter oito representantes
em um único ano (1979). Mas somente Alain Prost foi campeão mundial.
Hoje, a F-1 tem apenas um piloto francês: Olivier Panis, da Toyota.
A Inglaterra produziu vários campeões mundiais, mas o único que é
mencionado (às vezes) entre os “grandes” é o bicampeão Graham Hill.
Isto, porém, acontece mais pelo fato de Hill ser o único piloto que,
além de títulos na F-1, conquistou também as clássicas corridas 24 Horas
de Le Mans e 500 Milhas de Indianápolis. Áustria e a Finlândia também
tiveram seus campeões mundiais, mas não se pode dizer que esses países
dominaram a F-1.
Os Estados Unidos são um caso à parte: os pilotos de lá se interessam
somente pelo riquíssimo (em termos de dinheiro) automobilismo interno.
Daí a pouco expressiva participação americana na F-1, traduzida em
apenas dois campeões mundiais -- Phil Hill e Mario Andretti, este um
italiano naturalizado americano.
O Brasil, portanto, é um caso excepcional: teve três campeões mundiais
extremamente talentosos em espaço de tempo relativamente curto, sendo
que dois (Senna e Piquet) se enfrentaram diretamente. Mas essa fase
também acabou. Analisando a trajetória de outros países, alguns com
muito mais tradição no automobilismo e quase todos pertencentes ao
chamado “primeiro mundo”, vê-se que os pilotos brasileiros, ao longo dos
últimos 30 anos, praticamente demarcaram um território na F-1.
Desde 1970, nunca houve casos de temporadas transcorridas sem a presença
de pelo menos um piloto do Brasil na categoria, com ou sem chances de
vitória. Quase sempre foram dois, e em várias oportunidades mais do que
isso.
Para quem acha pouco, lembro que a Argentina não tem um piloto vencedor
desde 1981 e que o último argentino a correr na F-1 o fez em 1998. Por
isso, o simples fato de termos um vencedor (Barrichello) e a cada ano
uma ou duas promessas (como Pizzonia e da Matta este ano) já deveria ser
motivo de orgulho para os torcedores brasileiros.
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