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Ricardo Divila, vencendo no Japão

Projetista dos F-1 da equipe Fittipaldi continua em
atividade, cuidando dos Nissans que competem no JGTC

por Luiz Alberto Pandini - Fotos: divulgação
Luiz Alberto Pandini

Houve um tempo em que o Japão foi um novo eldorado no automobilismo. Muito dinheiro, várias categorias fortes de todos os tipos de carro (monopostos, protótipos e turismo), pilotos de várias nacionalidades ganhando bons salários e se transferindo de mala e cuia para o oriente, abraçando oportunidades profissionais que não existiam ou eram pouco atraentes na Europa e nos Estados Unidos.

Isso aconteceu no final dos anos 80, começo dos 90. Nessa época, a popularidade do esporte atingia seu auge no Japão, graças às presenças na Fórmula 1 de fabricantes como a Honda e de pilotos como Satoru Nakajima, o primeiro japonês a disputar um campeonato inteiro na categoria. Juntando a isso o esplendor vivido nessa mesma época pela economia local, o Japão era um quase paraíso para profissionais de automobilismo.

Não chegava a ser exatamente um caminho para a F-1, mas alguns dos que fizeram essa opção acabaram chegando a ela, como Eddie Irvine. Brasileiros como Maurizio Sala e Paulo Carcasci experimentaram correr no Japão e fizeram bonito. Sala ganhou corridas de F-3, F-3000 e Protótipos, e Carcasci foi campeão japonês de F-3 em 1991.

A festa durou poucos anos. Na primeira metade da década de 1990, a economia japonesa entrou em um período de estagnação -- ao menos para os padrões aos quais eles estavam acostumados -- e essa efervescência diminuiu. Hoje, há menos estrangeiros correndo no Japão e alguns campeonatos nem existem mais. Os que restaram, porém, estão firmes e fortes. E um brasileiro está se sobressaindo: Ricardo Divila (ao lado), engenheiro paulistano que nos anos 70 ganhou respeito no automobilismo mundial por ter projetado os primeiros carros de Fórmula 1 da equipe Fittipaldi.

Depois do fechamento da Fittipaldi, no final de 1982, Divila passou por várias equipes e categorias. Em seu currículo aparecem times como Ligier, Minardi e Prost. Desde 2002 instalou-se no Japão, onde trabalha no departamento de engenharia de competição da Nissan e atua como engenheiro de pista dos modelos Skyline que competem no JGTC, o campeonato japonês de gran-turismo (saiba mais). Paralelamente, Divila presta consultoria informal a equipes de Esporte-Protótipo e IRL.

No último domingo, dia 4, Divila mandou a seus amigos de todo o mundo um e-mail curto, telegráfico, mas bastante significativo: “Well, veni, vidi, vinci... Fuji 500 k JGTC Nissans 1, 2, 4, fastest lap and championship leader”. Para quem não tem familiaridade com inglês, latim, abreviações e siglas de corridas, segue uma tradução livre: “Bem, vim, vi e venci: 500 Quilômetros de Fuji do JGTC, Nissans em 1°., 2°. e 4°. lugares, volta mais rápida e liderança do campeonato”.

Para quem, como eu, acompanhou a luta dos irmãos Fittipaldi (e, também, de Ricardo Divila) para fazer um Fórmula 1 competitivo, receber esse tipo de notícia proporciona uma enorme satisfação. Parabéns, Ricardo. Que venham outras vitórias.

Nas fotos, de cima para baixo, os Nissans Skyline de Masami Kageyama/Richard Lyons (n°. 22), Benoit Treluyer/Yuji Ide (n°. 12) e Satoshi Motoyama/Michael Krumm (n°. 23), respectivamente 1°., 2°. e 4°. colocados na segunda etapa do Campeonato Japonês de GT
 

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Data de publicação: 10/5/03

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