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Supercarro com conforto

O Maserati Ghibli acelerava forte com um V8 de até 355
cv, mas era menos nervoso que Ferrari e Lamborghini

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

O nome da empresa fundada em 1926 pelos irmãos Alfieri, Ettore, Bindo e Ernesto Maserati pode não representar, hoje, mais que uma das incontáveis marcas do grupo Fiat, por quem foi adquirida em 1993 (e associada à Ferrari quatro anos depois). Mas, nos anos 60 e 70, Maserati era sinônimo de grandes carros-esporte e o cupê Ghibli, um de seus primeiros automóveis de rua, contribuiu para essa imagem.

Desenho de Giugiaro, motor V8 de 330 a 355 cv e versões cupê e conversível: um carro-esporte luxuoso e potente para longos percursos

Apresentado no Salão de Turim de 1966, no estande da Ghia, o Ghibli -- nome de um vento, a exemplo do anterior Mistral e do posterior Bora -- entrou em produção no ano seguinte. Era um cupê de 2+2 lugares, longo (4,57 metros), baixo e agressivo, com faróis duplos escamoteáveis e uma saliência central no capô dianteiro. O emblema frontal do tridente associava-se ao da Ghia nas laterais, estúdio para o qual trabalhava o autor de seu desenho, Giorgio Giugiaro.

Embora concorresse com os mais nervosos Ferrari 365 GTB/4 Daytona (leia história) e Lamborghini Miura (saiba mais), era um carro-esporte luxuoso, bem-acabado e confortável para longos percursos. Vinha de série com ar-condicionado e um painel completo e foi oferecido também como conversível, o Spider, a partir de 1968.

Concorrente do Miura e do Daytona, o Ghibli fazia de 0 a 100 km/h em 6,6 s

A exemplo do Daytona e do Miura, o Ghibli também alegava superioridade técnica e de desempenho. Seu motor era um V8 de duplo comando de válvulas nos cabeçotes, quatro carburadores Weber, cárter seco, 4.719 cm3 de cilindrada e 330 cv de potência, depois ampliado para 4.930 cm3 e 355 cv na versão SS.

Podia vir com câmbio manual de cinco marchas ZF ou automático Borg-Warner de três (a partir de 1970); os freios usavam discos Girling à frente e atrás. O chassi era o do modelo Mexico encurtado e reforçado, este por sua vez o mesmo do Quattroporte (leia história) reduzido. A suspensão posterior, de eixo rígido, era a mesma desses modelos.

Faróis escamoteáveis e lubrificação por cárter seco permitiam um capô mais baixo. Esta versão SS, lançada em 1970, tinha motor de 4,9 litros e 25 cv adicionais

Não era o mais veloz de seu tempo, mas andava muito bem: 248 km/h de máxima e aceleração de 0 a 100 km/h em 6,6 s, na primeira versão, com o tempo baixando para 6,2 s na SS. Em 1971 a Maserati era adquirida pela Citroën, que em dois anos tirou o Ghibli do mercado, após 1.274 unidades produzidas.

Seu nome, porém, ressurgiria mais tarde em um dos inúmeros modelos com motor biturbo construídos sobre a mesma base (e desenho frontal) do sedã Quattroporte.

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