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Missão quase impossível

Suceder ao clássico E-type foi um desafio para o Jaguar
XJ-S, mas ele fez seu nome em 21 anos de mercado

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Certos automóveis nascem com a difícil tarefa de suceder a um clássico. Foi o que ocorreu com o Jaguar XJ-S: 14 anos depois que o E-type surpreendeu o mundo com a elegância de suas linhas (leia história), a marca britânica apresentava seu substituto, em setembro de 1975.

Era um cupê de 2+2 lugares, capô longo, traseira baixa com as laterais simulando um fastback, faróis grandes e ovalados. Estava longe de apresentar a pureza de seu antecessor, mas reunia sofisticação e conforto, com revestimento em couro, apliques em madeira e ar-condicionado de série. Seu padrão de refinamento estava mais próximo dos sedãs XJ, lançados em 1968, que do esportivo E-type. Prova disso é que a transmissão automática, de início opcional, passava mais tarde a ser a única opção.

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Capô longo, grandes faróis, traseira baixa com ar de fastback: um estilo que nunca
agradou em cheio, mas vinha aliado a conforto e bom desempenho

De início foi adotado o mesmo motor V12 de 5.343 cm3 de cilindrada que equipava desde 1971 o E-type. Todo de alumínio, com comando de válvulas nos cabeçotes e injeção de combustível, fornecia respeitáveis 285 cv de potência, levando o pesado cupê de 0 a 96 km/h (60 milhas por hora) em 6,9 s e alcançando 240 km/h.

Um tratamento para redução de consumo era implantado em 1981, na chamada versão HE (High Efficiency, alta eficiência) do V12. Os novos cabeçotes, que haviam exigido cinco anos de desenvolvimento, o levavam a 248 km/h: era o carro mais veloz do mundo com transmissão automática.

Depois do motor V12 de 285 cv foi lançado um seis-em-linha de até 225 cv, com vistas à redução do consumo. No mercado americano o XJ-S (na foto o modelo 1984) tinha faróis duplos e estilo mais agressivo

A Jaguar procurava também um motor menor para atender às novas metas de economia de combustível. Depois de cogitar um V8 ou um "meio-V12", optou por um novo seis-cilindros em linha, de 3.580 cm3, oferecido em versões de duas e quatro válvulas por cilindro. Inclinado a 158 graus da vertical, o "seis" desenvolvia 225 cv na versão 24-válvulas e, graças ao bloco de alumínio, era 30% mais leve que o antigo motor XK de 3,4 litros e 162 cv.

Oferecido no XJ-S a partir de setembro de 1983, marcou o retorno da opção de câmbio manual, um Getrag de cinco marchas. Bastavam 7,6 s para acelerar até 96 km/h e a máxima era de 232 km/h. Na mesma época surgia o XJ-SC, primeiro Jaguar a céu aberto desde o fim do E-type -- era na verdade um targa, com barras estruturais e a opção de vidro traseiro fixo, além de apenas dois lugares por questão de segurança.

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Couro, madeira, câmbio automático e muito conforto: um esportivo requintado

A TWR, empresa do piloto Tom Walkinshaw, preparou alguns XJ-S para o Campeonato Europeu de Turismo, que ele faturou em 1984. Um conversível de verdade, com toda a capota removível por controle elétrico, chegava em maio de 1988. A operação levava apenas 12 s e o vigia traseiro era de vidro.

Em setembro de 1989 o motor de 3,6 litros passava a 4,0 litros, chegando a 235 cv de potência e ganhando 14% em torque. Os 96 km/h surgiam agora em 7,1 s e a velocidade máxima atingia 224 km/h. Juntos dele, uma transmissão automática de quatro marchas com controle eletrônico, freios com sistema antitravamento (ABS) e uma renovação do interior.

Em 1988 os refinados compradores ganhavam a opção de um conversível, acima. Mas quatro anos antes o XJ-S já faturava o Campeonato Europeu de Turismo, preparado por Tom Walkinshaw

Em novembro seguinte a Ford assumia a Jaguar e, em maio de 1991, o XJ-S era amplamente reestilizado. Bolsa inflável para o motorista, um conversível com motor de 4,0 litros e o conjunto Insignia de opcionais e itens decorativos foram as novidades seguintes. Mais tarde, o V12 passou a 6,0 litros, ganhando transmissão automática de quatro marchas, e os pára-choques foram modernizados.

A produção do XJ-S foi encerrada em 1996, após um total de 71 mil unidades produzidas durante 21 anos. Mesmo com a progressiva melhoria na qualidade de fabricação, um mal que quase exterminou a Jaguar nos anos 70, o carro estava envelhecido e pedia substituição -- o que a marca do felino fez com o belíssimo cupê XK8, enfim digno da tradição do lendário E-type.

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