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O Porsche popular

Com motor e distribuição da Volkswagen, o 914 foi uma
tentativa de baratear o acesso à marca de Stuttgart

Texto: Francis Castaings - Colaboração: Felipe Cavalcante Bitu

Em 1969, no Salão de Genebra, na Suíça, era apresentado o Porsche 914, também conhecido como Volkswagen Porsche. O modelo unia a esportividade da marca de Stuttgart, tradicional fabricante de esportivos de categoria indiscutível, à simplicidade de fabricação de um VW. Toda a rede de concessionários desta última, na Europa e nos Estados Unidos, seria usada para vender o novo carro-esporte.

A capota Targa, já oferecida no 911, era um dos destaques do 914. Bastava removê-la...

O 914 foi um “acordo de cavalheiros” entre Ferry Porsche e Heinrich Nordoff: desenho Porsche, projeto e mecânica VW, carroceria Karmann. Era para duas pessoas e media 3,98 metros de comprimento, com altura de apenas 1,23 metro. As linhas eram suaves, pouco convencionais mas não audaciosas. Tinha três volumes bem distintos e podia ser usado com capota ou tê-la removida em parte, guardando-a no porta-malas traseiro, pouco atrás do motor -- o famoso sistema Targa da marca, já usado no irmão mais famoso, o 911. A coluna central era na verdade uma barra de proteção em caso de capotagem; a visibilidade para todos os lados era ótima.

O motor ficava em posição central, logo após os bancos, com a transmissão atrás dele. O porta-malas de dimensões modestas vinha na frente e abrigava o estepe. Sobre o capô havia dois faróis escamoteáveis e ao lado destes, no vinco dos pára-lamas, as luzes de direção. Quando do lançamento, era vendido em cores vibrantes como amarelo, vermelho, laranja e azul-claro.

...e guardá-la no porta-malas traseiro, atrás do motor, para desfrutar de um semi-conversível, com barra de proteção para o evento de uma capotagem

Abaixo da porta, em preto, vinha o nome da famosa marca, mas o logotipo VW aparecia na traseira, ao lado da palavra Porsche estilizada, e nas calotas das versões básicas. O brasão da cidade de Wolfsburg, "capital da VW", estava presente no volante, como em todo VW alemão. Apesar disso tudo, os puristas reconheceram o 914 como um Porsche autêntico, mas torceriam o nariz para seu sucessor 924, por ser refrigerado a água e ter motor dianteiro.

A posição dos pedais e da alavanca de câmbio lembrava muito o velho Fusca, mas o volante seguia o desenho do 911. A disposição das marchas era invertida: primeira para trás, segunda para a frente e assim por diante -- os puristas até hoje reclamam ter sido eliminada no 911 de cinco marchas. A razão da mudança foram os manobristas americanos, que engatavam a segunda pensando ser a primeira -- haja embreagem em garantia.

Os bancos, esportivos e pouco confortáveis -- até 1972 o do passageiro não tinha qualquer ajuste! --, podiam receber até um tecido xadrez que combinava com a cor externa. O pequeno Porsche era muito simpático e parecia mais um brinquedo de adulto.

O motor central era novidade na Porsche e foi bem explorado na publicidade. À esquerda
a do carro de dois porta-malas, "fácil quando não se tem um motor na frente nem atrás"

O motor básico era o famoso quatro-cilindros horizontais opostos (boxer) refrigerado a ar, com 1,7 litro e potência de 80 cv. Trazia alimentação por injeção eletrônica, câmbio de cinco marchas e os freios usavam discos nas quatro rodas. Em testes na época, a frenagem foi considerada excelente. Pesava 900 kg, atingia 177 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em 13,5 s. Como todo Porsche, tinha um caráter esportivo muito marcante.

A versão seguinte era de 2,0 litros e 100 cv, com injeção, ainda de quatro cilindros. Chegava a 186 km/h de velocidade final e passava de 0 a 100 em 12 s. Podia receber como opcionais vidros verdes, rodas de alumínio, diferencial autobloqueante e barras estabilizadoras dianteira e traseira. Os pneus 165 HR 15 vinham montados nas famosas rodas Fuchs. Continua

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Fotos: divulgação

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