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Um Lambo para o Rambo

Três toneladas, 12 cilindros e 455 cv no LM002,
o utilitário peso-pesado da Lamborghini

Texto: Francis Castaings - Fotos: divulgação

Ferruccio Lamborghini, industrial italiano muito bem-sucedido, construía tratores agrícolas até que passou a fabricar automóveis-esporte bonitos, rápidos e originais (leia história). No final dos anos 70, porém, ele terminava o projeto LM001, de um superjipe de dimensões avantajadas e motor traseiro de oito cilindros em V. Apresentado em 1981 com o nome Cheetah, o protótipo tinha versões civil e militar, mas a estabilidade e a dirigibilidade eram desastrosas. Não foi adiante.

O Cheetah ou LM001, apresentado em 1981, teria motor V8 traseiro e versões civil e militar. Mas sua dirigibilidade era precária e o projeto voltou às pranchetas

O projeto foi então revisto até que, em janeiro de 1986, era lançado o LM002. O jipão tinha quatro portas, 4,95 metros de comprimento, 2,04 de largura e 1,85 de altura, tamanho respeitável. Tudo isso apoiado num chassi tubular. Pesava quase três toneladas, e ainda assim atingia quase 200 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em 10,2 s. Mas não tinha nenhuma pretensão esportiva, já que não era muito fácil dirigi-lo por causa das dimensões generosas.

Seu público-alvo eram sheiks, emires e magnatas do petróleo, para passear no deserto e ir a caçadas. Aquele era seu terreno favorito. Um carro para rodar onde houvesse espaço de sobra. As linhas eram parrudas, bem retas, e impunham respeito. Os pára-lamas altos e largos abrigavam pneus pesados Pirelli Scorpion na medida 325/65 VR 17. Sobre o capô havia dois ressaltos que lhe conferiam ar ainda mais agressivo. Atrás, um bagageiro especial para a acomodação de fuzis!

No LM002, lançado em 1986, o motor passava a ser o V12 de 5,2 litros e 455 cv do Countach, montado na frente, com tração 4x4 seletiva. Os enormes pneus de 17 pol de aro e as linhas retas o tornavam robusto e ameaçador

Esse fora-de-estrada bateu recordes numa época em que Mercedes, BMW ou Porsche sequer imaginavam produzir um utilitário-esporte. O motor, agora dianteiro, era o mesmo do superesportivo Countach: de alumínio, com 12 cilindros em V, 5.167 cm3 e 48 válvulas, o que era um recorde para um carro com tração nas quatro rodas, ainda que não-permanente. Desenvolvia 455 cv a 6.800 rpm.

Era alimentado por seis carburadores de corpo duplo Weber, que tinham um apetite voraz. O consumo era proporcional à potência e ao tamanho: variava de 2 a 4,5 km/l dependendo do peso do pé -- mas os dois tanques comportavam 290 litros, outro recorde. Os freios dianteiros usavam discos ventilados, mas os traseiros eram a tambor. Em alta velocidade era difícil segurá-lo nas freadas mais intensas. A suspensão, independente, contava com molas helicoidais e amortecedores Wayssauto de uso militar. Podia ser bem exigido sem problemas.

Os passeios pelo deserto dos milionários árabes eram a tarefa predileta do jipe, mas ele teve bom desempenho até em ralis. Num deles só parou por falta de combustível

Por dentro havia couro de ótima qualidade em todos os assentos e forrações, além de madeira nobre no painel bem-equipado. Acomodava com conforto quatro passageiros, todos em posição bem elevada. A alavanca do sistema de tração oferecia os modos 4x4 com diferencial central atuando, 4x4 com diferencial central bloqueado ou 4x2, em que ocorria a desativação da tração dianteira. Ar-condicionado era de série.

Em 1987 um LM002 original participou da organização do Rali dos Faraós. O famoso piloto italiano Sandro Munari também participou com o modelo no Rali Off-Road da Grécia, mas não terminou -- devido a um defeito no marcador de combustível, a gasolina acabou... No mesmo ano a Chrysler comprava a Lamborghini, que com nova injeção de capital pôde continuar seus projetos de desenvolvimento.

O interior tinha algum luxo, mas o LM002 não temia o uso fora-de-estrada

Em 1988 participou do Paris-Dakar com dois carros que tiveram pouquíssimas modificações. Em relação ao modelo de série eram 400 kg mais magros, mas não obtiveram bons resultados. Seu único concorrente em todo o planeta era o Hummer norte-americano, fabricado até hoje. Foram construídos 300 exemplares até 1991, custando o equivalente a três BMW 745i ou 20% a menos que o Countach em 1990! Hoje o LM é raridade.

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