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Discreta esportividade

Espaçoso, silencioso e elegante, o Ferrari 365/400/412 era
uma opção de Maranello para quem prezava o conforto

Texto: Francis Castaings - Fotos: divulgação

Quem ouve falar no nome mágico Ferrari, logo o associa a um carro vermelho, muito esportivo, de formas agressivas e perfil baixo, rápido, geralmente barulhento e com pouco conforto. Mas nem sempre é bom rotular um produto antes de conhecê-lo -- quanto mais um automóvel que leva o cavallino rampante.

Em setembro de 1972 a Ferrari lançava o 365 GT 2+2. O elegante esportivo tinha três volumes e frente levemente inclinada. Pouco abaixo da linha do capô ficavam seus quatro faróis principais, redondos, escamoteáveis. Se não fossem acionados tinha-se a impressão de que fossem retangulares e estreitos, pois os faróis auxiliares ficavam junto das luzes de direção, fazendo um conjunto muito harmonioso.

O primeiro modelo era o 365 GT 2+2, sigla que identificava a presença de dois lugares para crianças na traseira

Atrás chamavam a atenção as quatro lanternas redondas. Entre elas, a identificação do modelo, à esquerda da placa, e o cavalinho empinado cromado de outro. A visibilidade do cupê era muito boa para todos os lados. Era espaçoso para quatro passageiros e os de trás não sofriam muito como em outros 2+2 de luxo. Sua carroceria era assinada por Pininfarina. Sua meta era concorrer na época com o Mercedes-Benz 500 SLC e o Aston Martin DBS. Media 4,81 metros de comprimento e pesava 1.700 kg.

Como manda a tradição, o motor dianteiro todo em liga de alumínio tinha 12 cilindros em V, com 4.823 cm3, duplo comando de válvulas, alimentação por seis carburadores de corpo duplo e potência de 340 cv. Sua velocidade final era de 240 km/h e acelerava de 0 a 100 em cerca de 8 s. O tanque comportava 120 litros e a suspensão era independente nos quatro cantos.

No 400 GT a cilindrada aumentava, mas a potência logo cairia com a adoção de injeção eletrônica no 400i. Mas ainda restavam mais de 300 cv

O proprietário desses carros queria luxo, elegância, boa "máquina", sem abrir mão da esportividade. Por isso de série era fornecido um cambio automático -- de três marchas apenas e fornecido pela GM --, coisa rara num carro de Maranello. O manual de cinco marchas era opcional, e a tração traseira. Era veloz e estável, um carro bastante equilibrado. Usava pneus 215/70 VR 15 em belíssimas rodas de alumínio. Do pentágono central, onde se destacava o símbolo Ferrari e cinco parafusos cromados, saíam cinco raios em forma de trapézio. 

Em outubro de 1976 ele passava a ser o 400 GT -- os amantes da marca o conhecem mais por esta designação -- mas mantinha os 340 cv. Com as mesmas linhas clássicas e imponentes e sem agressividade, recebia a designação de 400i em setembro de 1979, graças à introdução de injeção eletrônica Bosch. O motor passava a ter 4.943 cm3 e sua taxa de compressão era aumentada de 8,8 para 9,6:1, mas perdia 25 cv por causa da injeção.

Interior em couro, painel bem-equipado, ampla visibilidade: era um Ferrari confortável

Em 1985 passava a se chamar 412 e uma das poucas alterações externas era a saia frontal, antes preta, que passava a ser na mesma cor da carroceria. A grade abaixo do pára-choque estava mais estreita e o eqüino cromado também estava lá. Recebia também rodas modelo TRX e traseira ligeiramente reestilizada. Em testes europeus fez de 0 a 100 km/h em 7,8 s e velocidade máxima de 247 km/h -- ótimos números, dignos de um Ferrari. E a bela sonoridade do V12 só era sentida em alta rotação.

Em segurança ganhava freios com sistema antitravamento (ABS) e suspensão regulável em altura. Contava com dois tanques de combustível, feitos em alumínio, totalizando 116 litros. Os concorrentes diretos agora eram o Porsche 928 S4 (leia história) e o Mercedes-Benz 560 SEC, também com mais de 300 cv. E todos custando muito caro.

Se os faróis redondos não estivessem levantados, como na foto do alto, a impressão era de que as unidades auxiliares fossem as principais

Por dentro do 412 o volante de três raios com forração em couro era o destaque. Bem à frente, com fundo preto e grafia em vermelho, velocímetro, conta-giros, manômetro de óleo. Outro detalhe que o distinguia dos irmãos de marca era a ausência da tradicional grelha polida da alavanca de câmbio. Bancos e forrações eram de couro e de série ainda trazia ar-condicionado, volante regulável em altura, controle elétrico dos vidros e dos retrovisores, pintura metálica e travamento elétrico das portas.

Uma das opções em 1986 era o jogo de valises em couro na cor bege. Não era nem um pouco barato, algo em torno de 2.000 dólares. Em 1989 a "limusine esportiva" 412 deixava de ser produzida, após 17 anos, sem que seu estilo fosse alterado em quase nada.

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