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Meio carro, meio utilitário

O conceito de picape derivado de automóvel, hoje comum,
teve no Chevrolet El Camino um famoso representante

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Picapes derivados de automóveis -- algo habitual para os brasileiros no segmento leve, inaugurado pela Fiat nos anos 70 -- causavam surpresa quando, em 1957, a Ford introduziu nos Estados Unidos o Ranchero. Baseado no sedã Fairlane, carregava meia tonelada com conforto similar ao de um carro. A resposta da General Motors à novidade veio em outubro do ano seguinte: o Chevrolet El Camino (o caminho, em espanhol).

O primeiro El Camino, modelo 1959, era baseado no Impala. Em apenas dois anos seria retirado do mercado, seguindo-se quatro anos sem a presença do modelo

A primeira geração, derivada do Impala, durou apenas dois anos. Seu estilo era interessante, com o pára-brisa envolvente e a frente larga do sedã combinados a uma caçamba arrojada, em que a borda lembrava as aletas traseiras dos sedãs. Como utilitário, era beneficiado com menor incidência de impostos do que os automóveis. Cerca de 36 mil unidades foram produzidas até que, em 1960, o picape deixasse o mercado.

O nome reaparecia quatro anos depois, agora numa derivação do Chevelle. Com linhas mais robustas e porte menor, faltavam os motores de melhor desempenho do automóvel: o El Camino podia vir apenas com os V8 de 283 pol (4,6 litros), de 195 e 220 cv, e 327 pol3 (5,35 litros) de 250 cv -- todos os valores de potência são brutos. A oferta crescia no modelo 1965, que oferecia versões mais bravas do 327 (com 300 e 350 cv).

A segunda geração passava a se basear no Chevelle. Aos motores iniciais, de 195 a 250 cv brutos, juntavam-se em 1965 os V8 de 300 e 350 cv brutos

No ano seguinte o famoso motor 396, de 6,5 litros e 325 ou 350 cv (o de 375 cv era restrito ao Chevelle), era inserido como padrão, eliminando os menos potentes 283 e 327. Toda a linha trazia suspensão traseira recalibrada, bancos individuais com console central opcional e a escolha entre os câmbios de três e quatro marchas, este com ou sem sobremarcha, além da caixa automática Powerglide de duas marchas.

Retoques estéticos vinham em 1967: grade, pára-choque dianteiro, lanternas traseiras e tampa da caçamba eram novos, havendo oferta de revestimento de vinil para a capota. Na parte mecânica, novidade eram os amortecedores com ajuste pneumático, que podiam ser inflados conforme o peso da carga transportada. Os motores continuavam os mesmos 396.

Terceira geração, em 1968: chassi mais longo, versão única SS396 e motores de até 375 cv

Na linha 1968 o El Camino chegava à terceira geração e recebia as mesmas mudanças da linha Chevelle, passando a adotar o chassi mais longo, de 2,94 metros entre eixos, do sedã e da perua. A versão de 375 cv do motor 396 (denominada L78) era enfim oferecida no picape SS396, que ganhava frente mais agressiva, capô com ressaltos e falsas tomadas de ar, vidro traseiro em recesso -- como no Chevelle -- e rodas de 6 pol de tala com pneus de faixa vermelha. Continua

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Data de publicação deste artigo: 11/6/02

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