Shopping Best Cars
Best Cars Web Site Páginas da História

A pequena jóia de Hethel

O estilo descontraído e a técnica refinada fizeram do
Lotus Elan um marco entre os roadsters britânicos

Texto: Francis Castaings - Fotos: divulgação

Colin Chapman e Colin Dare fundaram a Lotus Cars Ltd em 1947 com o compromisso de fazer sucesso. E fizeram muito com seus esportivos velozes, originais e eficientes. Várias das experiências e soluções adquiridas nas competições eram aplicadas à produção de seus carros de rua. No começo da década de 60 o Elite e o Super Seven já faziam os ingleses orgulhosos, o restante da Europa muito admirada e os americanos bons compradores. Os carros da pequena cidade de Hethel eram conhecidos no mundo inteiro.

No Salão de Londres de 1962 era apresentado um conversível de linhas curvas e esguias, modernas e atraentes. Seus faróis redondos eram escamoteáveis, uma ousadia para a época. Os pára-choques vinham muito rentes à carroceria e, logo abaixo do dianteiro, a entrada de ar oblonga para o radiador. Atrás, quatro pequenas lanternas e duas mínimas luzes de direção. Com uma agressividade amena, seu nome era Elan.

Um elemento marcante do Elan era o chassi do tipo "espinha dorsal", em forma de Y. A suspensão, toda independente, utilizava colunas McPherson na traseira, hoje conhecidas como colunas Chapman

O chassi do tipo "espinha dorsal" em aço, em forma de Y, faria história e seria aproveitado em projetos futuros. Sua carroceria de plástico reforçado com fibra-de-vidro media 3,69 metros de comprimento e 1,14 de altura. Fiel à tradição da marca de pesar muito pouco, não passava de 590 kg. Muitos carros não eram vendidos completos pela marca: uma curiosa lei inglesa de tributação tornava mais barato vendê-lo em forma de kit, para que o comprador o concluísse na oficina de sua preferência.

O motor era um Ford 122 E inglês, derivado do Cortina, com duplo comando de válvulas no cabeçote (preparação exclusiva Lotus), 1,5 litro, caixa de quatro marchas (do Ford Corsair de série) e tração traseira. Não demorou muito e o motor já estava mais potente. Passava a 1,6 litro, com uma potência de 105 cv a 5.500 rpm. Era alimentado por dois carburadores de duplo corpo da marca italiana Weber e tinha alta taxa de compressão, 9,5:1.

"Um início invertido para a Lotus": enquanto a maioria dos fabricantes começava com carros de rua, a marca de Hethel chegava ao mercado já com uma tradição nas pistas, a que o Elan daria continuidade

A velocidade final era de 182 km/h. O Elan era veloz, muito ágil e bom de curvas, com leve tendência subesterçante (sair de frente). Usava pneus 145-13 com rodas de aço e calotas simples. A suspensão era independente nas quatro rodas (com braços sobrepostos à frente e colunas McPherson atrás, que se tornariam conhecidas como "colunas Chapman"), assim os freios a disco, da famosa marca Girling -- em uma época em que até Corvettes usavam tambores! O pequeno esportivo tinha concepção simples, mas refinada.

Assustava carros de muito maior potência e cilindrada. Seus concorrentes eram o Porsche 356, o Alpine A110, o Alfa Romeo GTA e, em terras britânicas, o MGB e o Austin Healey. Todos, inclusive o Lotus, não eram carros baratos, mas não chegavam a custar tanto quanto esportivos italianos e ingleses de prestígio -- e seu desempenho era quase tão bom quanto. 

Motor da Ford inglesa com duplo comando, freio a disco nas quatro rodas, tração traseira: uma receita garantida para o prazer em dirigir

Em 1965 era lançado o Elan S2 Coupé GT, um cupê 2+2, pouco mais pesado -- 620 kg -- mas que mantinha a mesma agilidade. Este modelo também era muito bonito e podia receber um teto solar de lona como opcional ou vir com a capota em cor diferente da carroceria. Em ambos os casos, ótimo para um casal de espírito esportivo e discreto. Continua

Carros do Passado - Página principal - e-mail

Data de publicação deste artigo: 19/11/02

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados