Gueixa com fôlego de ninja

Após um início obscuro, Silvia tornou-se um dos
nomes mais estabelecidos na linha Nissan

Texto: Fabiano Pereira - Fotos: divulgação

É curioso o hábito de certas marcas colocarem nomes femininos em seus carros. Fica fácil associar o veículo a uma imaginária jovem atraente que mereceu tal homenagem de um projetista apaixonado. A italiana Lancia produziu Fulvias, Flavias e Aurelias durante alguns anos. A Nissan, antes chamada de Datsun em vários mercados, mesmo sem um padrão para toda linha, também batizou de Violet, Cherry e Gloria alguns modelos.

E se até Elvis se apaixonou por uma Sylvia, ao menos na música, por que o fabricante japonês não poderia celebrar tal nome com um belo esportivo? Na explicação mais recorrente dessa escolha, Silvia seria uma bela ninfa, na mitologia grega, e a mãe de Remo e Rômulo, na romana. A primeira vez que a empresa usou um logotipo com esse nome foi no Salão de Tóquio de 1964. Tratava-se de um diminuto cupê de linhas retas, talvez mais moderno — embora muito menos carismático — que o contemporâneo Ford Mustang.

O modelo inicial (aqui o de 1966) tinha linhas retas e motor 1,6 de 96 cv. Custava caro e fez pouco sucesso

O capô inclinado sobre a grade, rodas grandes e pára-choques estreitos revelavam a inspiração européia do desenho. O Silvia 1600 Coupé foi desenhado pelo conde alemão Albrecht Graf von Goertz, veterano da Studebaker, BMW e Porsche, na qual participou do desenvolvimento do 911. Ele até ajudou a preparar uma versão quatro-portas nunca produzida do Silvia e criou o conceito do que viria a ser o lendário Datsun 240Z. Mas o que torna esse modelo inaugural do carro mais interessante é a raridade: cerca de 550 foram produzidos.

Ele tinha o mesmo chassi do Fairlady 1500. Era feito artesanalmente e, portanto, custava caro. Seu motor era uma atualização do desenvolvido pela Austin inglesa no pós-guerra e utilizado pela Nissan havia anos, com sucessivas melhorias. Com comando de válvulas no bloco e 1.595 cm³, tinha dois carburadores Hitachi SU. A caixa de quatro marchas era a primeira em um Datsun toda sincronizada.

No interior da primeira geração, painel bem-equipado e o clássico volante de três raios com aro de madeira

O resultado era apenas razoável: 96 cv a 6.000 rpm e torque máximo de 13,5 m.kgf a 4.000 rpm. Com seu preço alto, manufatura trabalhosa e o conseqüente apelo limitado, ele parecia fadado a sair logo de linha e entrar mais rápido ainda para o esquecimento do público. O primeiro prognóstico se confirmou em 1968; o segundo era bastante equivocado. Em 1974, o nome Silvia voltava a figurar no catálogo da empresa. Continua

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Data de publicação: 14/10/03

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