Para quem acha os carros de luxo ianques monótonos, o Seville 1980 surpreendia. Trazia um porta-malas inspirado nos Daimlers com carroceria Hooper de antes da guerra: lembrava carros dos anos 30 e 40 sem o terceiro volume bem definido, como é usual desde os 50. Era amado pela originalidade ou odiado por parecer um sedã grande amputado. Gosto à parte, ganhava tração dianteira e suspensão traseira independente. Hoje é para muitos um clássico, como a geração de 1975.

A traseira que parecia amputada, introduzida em 1980: uma época de decisões polêmicas da Cadillac, como o motor a diesel e um V8 com desligamento de até quatro cilindros

Quando muitos carros americanos encolheram ao nível europeu ou japonês nos anos 80, o Seville finalmente fez jus à classificação de compacto. O modelo 1986 repetia a coluna traseira bem vertical de 1975, tinha bom Cx, 0,37, e dividia o projeto com o novo cupê Eldorado, com motor transversal. Oferecia caixa automática de quatro marchas, freios a disco nas quatro rodas, elogiada dirigibilidade e eletrônica farta.

Embora o requinte e o tamanho fossem coerentes com a proposta original do Seville, já havia outro modelo no papel do menor da linha: o malsucedido Cimarron, versão com acabamento Cadillac — e quase nada além — do Chevrolet Cavalier, que ajudou a desacreditar ainda mais a marca.

A geração de 1986: coluna traseira lembrando a de 1975, motor transversal e, dois anos depois, um novo V8 de 4,5 litros

Por melhor que fosse, o Seville 1986 não fez sucesso: as vendas despencaram de 39.755 para 19.098 unidades. Pouco melhorou até surgir a versão esportiva STS (Seville Touring Sedan), em 1988, com o novo V8 de 4.474 cm³, 155 cv e 33,1 m.kgf, ao lado da opção de freios antitravamento (ABS). Já havia uma suspensão mais firme (a Touring) opcional, mas era a primeira vez em que vinha com visual mais esportivo, sem tantos cromados.

Na geração de 1992 o STS, maior, voltava a impressionar pela beleza e elegância. Seu V8 de 4.917 cm³ fazia 200 cv e 37,9 m.kgf, havia controle eletrônico da transmissão e da suspensão independente, com três níveis de amortecimento: Comfort, Normal e Sport. Os 43.000 Sevilles vendidos validaram a repercussão. Em 1993 o elogiado Northstar V8 de 4.565 cm³, 295 cv e 40 m.kgf elevava ainda mais seu moral.

O STS de 1995 estava mais elegante e já adotava o motor Northstar de 295 cv. A carroceria atual é uma leve evolução de estilo sobre a lançada em 1992

Com a saída do enorme Fleetwood em 1996, o “compacto” era enfim promovido a intermediário, abaixo apenas do De Ville. A atual geração surgiu para 1998, com uma evolução discreta do estilo anterior, melhorias na suspensão, controle de estabilidade StabiliTrak, estrutura mais rígida e segura. Seu Northstar de 32 válvulas chega a 275 cv (SLS) e 300 cv (STS).

Seu substituto deve se chamar apenas STS, para combinar com os recém-chegados CTS, XLR e SRX. A expectativa é grande. O primeiro compacto ao estilo Cadillac se manteve o mais prestigiado carro da linha, desde seu lançamento, e sai de cena ainda em grande forma. O Seville mostrou que as menores caixas podem mesmo conter os melhores presentes.

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