Muscle car com toque italiano

Apesar do nome um cupê americano em sua essência,
o Ford Torino cativou pelo desempenho exuberante

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Grandes cupês sempre tiveram seu espaço assegurado no mercado americano, especialmente se pusessem à disposição um — ou vários — V8 de grande cilindrada. Um desses modelos foi o Torino, produzido entre 1968 e 1976 pela Ford e lançado para substituir o bem-sucedido Fairlane, embora este nome tenha sido mantido no mercado até 1971.

Com o nome da cidade italiana (em português, Turim) que é sede da Fiat, o primeiro Torino era grande (5,10 metros de comprimento, 2,95 m entre eixos) e imponente, com cinco opções de carroceria: fastback e hardtop de duas portas, hardtop de quatro portas, conversível e perua. Maior que o Fairlane do ano anterior, usava uma construção clássica de carroceria sobre chassi, com tração posterior, suspensão dianteira independente com molas helicoidais, traseira de eixo rígido com feixe de molas semi-elíticas e pneus 7,35-14 (F78-14 nas versões superiores). O peso oscilava de 1.310 a 1.585 kg, conforme a mecânica.

Já no primeiro ano (1968) o comprimento chegava a 5,10 metros. E havia opção entre três motores e diversas carrocerias, como o cupê hardtop, ao lado, e o fastback, no alto

Podia receber os motores V8 de 302 pol³ (4,95 litros, como o de nossos Landau e Maverick) e 390 pol³ (6,4 litros), além do 250 pol³ (4,1 litros) de seis cilindros em linha. O mais potente tornava-o um muscle car, "carro musculoso", categoria que encantou os americanos entre o final da década de 1960 e o início da de 1970 (leia história).

GT era a versão esportiva, com faixas decorativas, rodas de aço mais largas, pneus do tipo wide oval e a opção de câmbio de quatro marchas com alavanca no assoalho. Já no primeiro ano o Torino era o carro-madrinha (pace car) da 500 Milhas de Indianápolis, corrida mais tradicional dos Estados Unidos. A divisão Mercury também o oferecia sob o nome Cyclone. O picape Ranchero adotava no mesmo ano o estilo frontal da linha.

Um ano depois chegava o Cobra, versão esportiva com motor V8 de 7,0 litros e 335 cv brutos, além de adereços de estilo

Em 1969 aparecia o Torino Cobra (naja, em inglês), com o nome que seria usado com êxito no Mustang a partir da década seguinte — até hoje. Disponível como hardtop ou fastback de duas portas, vinha com o V8 de 428 pol³ (7,0 litros) e carburador de corpo quádruplo (quadrijet), denominado Cobra Jet, que desenvolvia potência bruta de 335 cv e torque de 60,8 m.kgf.

O pacote incluía bancos dianteiros individuais, câmbio no assoalho, escapamento duplo e suspensão mais firme, além de rodas de 7 pol de largura com pneus F70-14. Havia as opções de uma tomada de ar funcional no capô (ram air) e diferencial autobloqueante. Era a resposta da Ford ao Plymouth Road Runner. Continua

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Data de publicação: 15/6/04

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