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A década de 1960 foi um
tempo áureo para a Alfa Romeo. Em 1964 o estúdio de Nuccio Bertone
recebeu a incumbência de desenvolver, para o Salão de Paris daquele
ano, um carro-conceito esportivo para uso em rua com base na mecânica
do Alfa Giulia TZ de corridas.
O resultado foi o Canguro (canguru), um elegante cupê de linhas
sinuosas e enorme área envidraçada, com pára-brisa e vidro traseiro
envolventes e vidros laterais que avançavam sobre o teto. O motor
utilizado possuía lubrificação a cárter seco,
permitindo um capô bastante baixo. O chassi era tubular, típico de
carros de competição.
O hoje tão famoso Giorgio Giugiaro, à época trabalhando com Bertone,
participou do projeto. No interior, além do largo túnel de transmissão
para a tração traseira, chamava a atenção um segundo velocímetro
diante do passageiro -- talvez para o impressionar ainda mais.
Como a maioria dos conceitos, o Canguro teve apenas uma unidade
construída. Ocorre que um jornalista praticamente o
destruiu em um acidente, ao avaliar o
veículo.
Desprezando seu valor histórico, a Bertone o abandonou, desprovido de
motor e muitos componentes, até que o alemão Gary Schmidt, em visita
ao estúdio, soube do estado do conceito e quis comprá-lo. Consta que o
fez pelo custo burocrático da transação -- US$ 35! Não se sabe se o
Canguro já recuperou sua antiga forma ou se um dia terá a chance de
fazê-lo.
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