Avaliação


Ranger XLT 4x4 Cabine Dupla

Tração integral, motor V6 e espaço para cinco pessoas:

a Ford completa a linha de seu pickup médio


Texto: Fabrício Samahá



A Ford está mesmo disposta a ampliar sua participação no mercado de pickups médios, onde compete com o S10 da GM, o Dakota da Chrysler e diversos modelos importados. Remodelado em março de 1998, quando ganhou suspensão mais robusta e linhas mais encorpadas, o Ranger cresceu em variedade de versões: três motores, dois comprimentos de caçamba, duas versões de acabamento e duas de tração. Mas não parou por aí: está nas concessionárias desde maio o modelo "familiar" do pickup, com cabine dupla e quatro portas. Foi um pickup como esse, dotado de tração integral e motor V6, que avaliamos por cerca de 100 quilômetros entre São Bernardo do Campo e Bertioga, SP.

A adição de duas portas, com vidros inteiriços (não há "falsos quebra-ventos"), e o aumento do entre-eixos para 3,19 metros (era de 2,83 metros no cabine-simples de caçamba curta) não prejudicaram a harmonia das linhas do Ranger. Seu jeito robusto agrada, com a frente remodelada em março, capô de alumínio e faróis com lentes de plástico policarbonato. Estranha-se, contudo, o contraste entre o pára-choque dianteiro cromado e o traseiro cinza. A capacidade da caçamba (declarada) é de 848,5 litros. Em peso o limite é de 1.020 kg, incluindo os passageiros.

A altura da cabine dificulta um pouco o acesso ao interior e falta a regulagem de altura do assento (há apenas a do volante), mas motoristas de estatura elevada também encontram boa posição de dirigir. Mas a Ford poderia incluir ainda a faixa degradê no pára-brisa, que o S10 oferece.
O acabamento geral é bom, com assoalho em carpete, bancos individuais, um amplo console com porta-copos e um porta-objetos dobrável entre os bancos com local para fitas, CDs e moedas. O painel inclui manômetro de óleo e voltímetro, e o limpador de pára-brisa tem variação sensível à velocidade do carro, entre 16 e 100 km/h. Controle elétrico dos vidros (só dianteiros), travas e retrovisores são opcionais. No banco traseiro acomodam-se bem três pessoas, mas o assoalho alto causa algum desconforto às pernas dos passageiros. O assento pode ser basculado para permitir a guarda de pequenos objetos.

O motor do pickup avaliado é o conhecido V6 de 4 litros e 162 cv a 4.800 rpm, de desenho antigo (comando de válvulas no bloco) mas dono de um torque generoso: 31,1 mkgf a 2.750 rpm. A injeção é multiponto seqüencial EEC-V, a mais moderna da Ford. Velas são trocadas aos 96 mil quilômetros. A transmissão Mazda utiliza carcaça de alumínio e embreagem de comando hidráulico. A tração nas quatro rodas pode ser acionada, por comando elétrico no painel, a até 80 km/h. O engate e desengate da reduzida (com relação de 2,48:1) exigem que se pare o pickup e se pressione freio e embreagem.

No XLT o acabamento é bastante bom e não falta espaço para objetos; destaque para as duas bolsas infláveis de série


A suspensão dianteira do tipo Twin-I-Beam com molas helicoidais do Ranger anterior cedeu espaço a um sistema de barra de torção e braços curtos e longos, menos sensível à variação de peso e que facilita a instalação do diferencial dianteiro para tração integral. A suspensão traseira foi mantida. O conforto melhorou no cabine-dupla, em função do maior comprimento, mas em asfalto irregular exige-se atenção para manter o pickup na trajetória, por causa da traseira saltitante.

Um curto trecho fora-de-estrada serviu para avaliar o potencial do Ranger cabine-dupla nessas condições. O entre-eixos longo e o maior peso da versão não comprometem, embora se perca ligeiramente em ângulos de entrada e saída. A tração integral mostrou-se eficiente e com relações de transmissão corretas para o torque do motor.

Ar-condicionado, rádio com toca-CD, bolsas infláveis para motorista e passageiro, alarme e rodas de alumínio são de serie na versão topo-de-linha XLT. O preço básico de R$ 34,5 mil supera em 15% o do pickup de cabine simples, mas a união de motor potente, tração integral e bom espaço interno resulta num conjunto bastante competitivo.


FICHA TÉCNICA


MOTOR - Longitudinal, 6 cilindros em V; comando no bloco, 12 válvulas. Diâmetro e curso: 100,42 x 84,4 mm. Cilindrada: 4.011 cm3. Potência máxima: 162 cv a 4.800 rpm. Torque máximo: 31,1 mkgf a 2.750 rpm. Injeção multiponto seqüencial.

CÂMBIO - manual, 5 marchas; tração integral.

FREIOS - dianteiros a disco ventilado; traseiros a tambor; antitravamento nas rodas traseiras.

DIREÇÃO - de pinhão e cremalheira; assistência hidráulica; diâmetro de giro, 14 m.

SUSPENSÃO - dianteira, independente, barra de torção, braços curtos e longos, com estabilizador; traseira, eixo rígido, feixe de molas, com estabilizador.

RODAS - 7 x 15 pol.; pneus, 235/75 R 15.

DIMENSÕES - comprimento, 5,047 m; largura, 1,763 m; altura, 1,641 m; entre-eixos, 3,192 m; capacidade do tanque, 75 l; capacidade de carga, 1.020 kg; peso, 1.760 kg.

DESEMPENHO - consumo em cidade, 6,28 km/l. Demais dados não divulgados.


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