Procurando um carro novo, com boa presença entre a
galera e capaz de sair na frente em semáforos ao menor
custo possível? Comece a pensar no primeiro pickup leve
(derivado de automóvel) esportivo produzido no Brasil: o
Saveiro TSi. A mais nova versão do pickup Volkswagen
custa, já com rodas de 15 pol. e imobilizador de motor,
a partir de R$ 18.031 -- menos que um Gol 1.000 16V -- e
oferece saudáveis 111,5 cv de potência. Uma relação
de apenas R$ 162 por cv, talvez a melhor do mercado.
Motor 2-litros,
rodas e suspensão esportivas e alguns toques na aparência
fizeram o TSi, versão "brava" do consagrado
Saveiro
O sucesso do Saveiro entre os jovens não é novidade:
segundo a Volkswagen, 30% dos compradores têm menos de
29 anos e 35% são solteiros de alto poder aquisitivo (dois
terços da classe A). Mas, em que pesem as iniciativas
anteriores com o Fiat Fiorino LX -- com razoáveis 94 cv
-- e com os próprios Saveiros Summer e Sunset, séries
especiais de motor 1,8-litro que tiveram certo êxito,
esses consumidores nunca haviam sido tão bem-atendidos
por um modelo de série como agora nessa versão TSi.
A receita seguida pela VW não fugiu do que milhares de
jovens faziam e fazem com o pickup logo ao sair da
concessionária: motor mais potente, rodas de aro maior
com pneus mais largos, suspensão mais firme e detalhes
externos e internos mais esportivos. A novidade é que
tudo isso vem de fábrica, isentando o proprietário de
problemas com a garantia e (até certo ponto...) com as
seguradoras. Outra vantagem em relação às séries
limitadas do Saveiro antigo -- equipadas com o motor AP-1800S
do Gol GTS -- é que o TSi utiliza o mesmo 2-litros do
Gol e Parati, com bom torque em baixa rotação que lhe
confere grande agilidade.
Lançado em outubro de 1997, e embora já aguarde uma
reestilização frontal para meados de 1999, o atual
Saveiro agrada pelas linhas esportivas. O recurso do
pequeno vidro adicional nas laterais, confundido pelos
incautos antes do lançamento com uma cabine estendida, dá
equilíbrio e harmonia à cabine. Mas o grande
comprimento da caçamba transparece ainda mais com o uso
das portas pequenas, as mesmas do Gol cinco-portas. Na
traseira, lanternas bonitas e delicadas (com as luzes de
direção em tom fumê no TSi) contrastam com o excessivo
e pouco estético emblema VW, o mesmo empregado na frente
da Kombi. A identidade visual com a linha Gol certamente
dispensaria esse artifício, condenado por onze entre dez
"saveiristas".
Sem os bancos
Recaro, opcionais, o interior traz poucas novidades;
volante não é ajustável mas tem posição adequada
Como em todo pickup a aerodinâmica não é das melhores:
Cx de 0,45. Concorre para isso a caçamba aberta e sua
tampa, que não permite remoção rápida como no Ford
Courier. Ao menos nesta versão "brava" a
Volkswagen deveria oferecer cobertura marítima do
compartimento, já disponível no Fiat Strada, que
melhora o escoamento de ar na região e protege
parcialmente a carga. Por outro lado há o revestimento
plástico que evita a deterioração interna da caçamba
em uso utilitário, favor de depreciação em pickups.
Além das belas rodas de 15 x 7 pol. e pneus Pirelli P700Z
na medida 195/50, os mesmos do Gol GTI 16V, o TSi traz
alguns detalhes de esportividade: faróis com duplo
refletor (com quatro lâmpadas em facho alto, propiciando
ótima iluminação) e de neblina; luz de neblina
traseira, justificando a remoção da luz de ré da
lanterna esquerda; antena de teto (um estorvo, devendo
ser removida a cada parada para evitar furtos) e o
logotipo da versão na grade, pára-lamas dianteiros e
tampa traseira. No interior são opcionais bancos Recaro,
com largos apoios laterais, e os pára-sóis recebem
espelhos com tampa e iluminação no teto do veículo --
detalhe sofisticado, inspirado no Passat e nos Audis. No
veículo avaliado os bancos eram convencionais, mas
revelaram bom apoio em curvas e densidade correta.
Ao volante do TSi o motorista posiciona-se bem, com
correta posição do volante (não há ajuste em altura)
e espaço razoável para o deslocamento longitudinal do
banco, mas nota-se a falta de elementos esportivos. O
volante, quando dotado de bolsa inflável, é o quatro-raios
do novo Golf, bem-desenhado mas muito sóbrio. Já o
painel tem fundo preto e iluminação verde, como nas
demais versões: adotar o fundo branco do Gol GTI, mesmo
diferenciando o Saveiro dos outros TSi da linha, teria
sido bem mais coerente. Outro aspecto que desagrada seu público-alvo
é a qualidade modesta do sistema de áudio, com toca-fitas
de painel removível compacto, dois falantes e dois
tweeters.
Os
"saveiristas" não vão aprovar: painel é o
mesmo da versão GL, com fundo preto, e o volante com
bolsa inflável tem desenho muito sóbrio
Boas e más soluções convivem no interior do Saveiro.
Controles elétricos dos vidros possuem sistema um-toque,
antiesmagamento e temporizador -- mas deveriam estar nos
puxadores das portas e não no painel, onde parecem
improvisados. A luz interna, também temporizada e com
apagamento gradual, poderia desligar-se já na partida do
motor, como no Golf. Há iluminação no porta-luvas, mas
não luzes de leitura, e o comutador de farol alto/baixo
não permite saber qual será ligado primeiro,
propiciando ofuscamentos.
Ainda, há pouco espaço para objetos atrás do motorista
e nenhum atrás do passageiro, onde se aloja o estepe --
mesmo que haja lugar para ele sob a caçamba, como
adotado no Courier. Por falar em caçamba, traz apenas
quatro ganchos de amarração de carga, pouco até para o
transporte de veículos de lazer como moto e jet-ski.
Notas positivas são as maçanetas cromadas, de bom
aspecto e fáceis de encontrar no escuro; pára-brisa com
faixa degradê, ainda relevada por muitos fabricantes;
revestimento fonoabsorvente sob o capô e prático alarme
de controle remoto que também trava portas e sobe vidros.
O conjunto mecânico da nova versão não traz surpresas.
Reúne o conhecido motor 2-litros, agora desenvolvendo
111,5 cv em função de alterações na linha '99; o
mesmo câmbio dos demais Saveiros, apenas com o
diferencial alongado (de 4,11:1 para 3,89:1); e os mesmos
freios e suspensão, esta recalibrada para maior rigidez.
Os pistões de curso longo -- 92,8 mm, maior que o diâmetro
dos cilindros, de 82,5 mm -- colaboram para o bom torque
em baixos regimes do motor AP-2000, mas seria preciso
adotar bielas mais compridas para ganhar em suavidade (clique
aqui para saber mais sobre técnica).
As relações de marcha corretas garantem um
comportamento ágil e levam a rotação do motor em
velocidade final -- 174 km/h, dado do fabricante -- a 4.800
rpm, não muito distante do regime de potência máxima,
de 5.250 rpm. Os números da Volkswagen apontam ganho de
6 km/h em velocidade, de 0,5 segundo na aceleração de 0
a 100 e perda média de 0,6 km/l no consumo em relação
ao Saveiro GL 1.8.
A pequena
janela na coluna harmoniza o estilo da região, mas a caçamba
longa e o emblema VW na traseira desagradam
Rodando, o TSi vai despertar suspiros no fã-clube. O
ronco esportivo mas não exagerado, o rodar firme, o peso
correto da direção, a ótima aceleração e o
tradicional câmbio Volkswagen transmitem sensação de
esportividade e segurança. A estabilidade agrada,
permitindo curvas bastante rápidas sem sustos, às
custas de algum desconforto em piso irregular, nos quais
a traseira pula e faz barulho. Recalibrar a suspensão
posterior, mesmo com redução na capacidade de carga,
seria boa atitude mas não se viabilizaria pela baixa
produção da versão.
Iguais aos do Saveiro de 1,8 litro, os freios funcionam a
contento e recebem apoio dos largos pneus. Contudo, sem a
disponibilidade de sistema antitravamento (ABS), requerem
atenção em freadas bruscas para que a traseira, de
rodas bloqueadas, não fuja da trajetória como ocorreu
numa simulação de freada pânica em nossa avaliação.
Outra crítica, mais relacionada ao conforto e comum a
toda a linha Gol com sistema assistido, vai para a direção
de relação muito alta, que requer movimento além do
normal para as manobras.
Deixa a desejar ainda o engate da marcha a ré, com uma
trava adicional (desnecessária, pois já há bloqueio
interno) a exigir esforço. E a VW poderia rever, numa
futura remodelação interna, a posição pouco natural
dos comandos de ventilação e saídas de ar centrais.
Montadas abaixo do rádio, dificultam direcionar o ar
condicionado para cima como convém. São detalhes que
para alguns têm pouca importância, mas é também de
detalhes -- e do desempenho a baixo custo -- que se faz
todo o charme do Saveiro TSi.
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