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Supra-sumo de
conforto e desempenho

O ousado motor W12 de 6,0 litros e 420 cv faz do Audi
A8 o quatro-portas de série mais potente do mundo

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Depois de ensaiar com numerosos carros-conceito (do Audi Avus Quattro, cujo motor era uma maquete em madeira, aos vários Bugattis, passando pelo VW Syncro), o Grupo Volkswagen transforma em realidade o motor de cilindros em W. A ousada configuração, definida por permitir dimensões reduzidas, estreou no último Salão de Paris (leia cobertura) com o Audi A8 W12, seguido pelo VW Passat W8 em Genebra (leia cobertura).

As linhas do A8 já mostram certa idade, mas esse sedã de alumínio continua irresistível pela combinação entre requinte e desempenho que caracteriza os melhores Audis

O novo A8 L 6.0 Quattro, revitalização de um modelo lançado em 1994 e que já espera substituição para os próximos anos, reúne uma coleção de títulos. Seu motor é o 12-cilindros mais potente (420 cv), de maior cilindrada (6,0 litros) e mais alto torque (56,1 m.kgf) entre os já instalados em sedãs, além de superar em potência motores de outras configurações adotados em modelos de quatro portas, como o V8 do BMW M5. A Audi deixou bem para trás os V12 da concorrência -- de 367 cv no Mercedes Classe S e de 326 cv no BMW Série 7.

Bastam 38 s para o sedã de alumínio da Audi atingir sua velocidade máxima de 250 km/h -- limitada eletronicamente, conforme acordo entre governo e fabricantes alemães --, depois de passar pelos 100 km/h em apenas 5,8 s. Em contraste a esse desempenho de supercarro, pode ser dirigido em baixos regimes com torque abundante: mais de 90% disponíveis já a 1.800 rpm.

O A8 utiliza alumínio em toda a carroceria, no que é ainda o único sedã produzido em série (a Audi o emprega também no monovolume A2), e em componentes como os braços de controle da suspensão, pinças de freio, colunas de amortecedores e, naturalmente, as rodas. A economia de peso, da ordem de 250 kg, representa muito em desempenho e consumo.

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A estrela do novo A8 é o motor de 12 cilindros em W e 420 cv, o mais potente já oferecido em um sedã de série (clique na imagem ao lado para ampliá-la)

É também o único carro de 12 cilindros com tração integral permanente, o famoso sistema Quattro da marca, dotado de diferencial central Torsen. Isso porque motores V12 ocupam tanto espaço no cofre que não permitem a instalação do sistema de tração dianteira. Já o W12 mede apenas 513 mm de comprimento por 690 mm de largura, sendo compacto como um V8 convencional e também mais leve que os V12. No novo A8, cada cv de potência move apenas 4,7 kg de peso, relação de dar inveja a muitos esportivos.

Primazia nos tempos modernos   Cilindros em W não são absolutamente novos na história do automóvel. Nos anos 20 o modelo Rumpler tear-drop recorria a um seis-cilindros com a configuração de três bancadas de dois cilindros cada. Pouco mais tarde, Campell, Seagrave e Cobb batiam um recorde de velocidade com um motor W12 de origem aeronáutica, 24 litros e 502 cv. Mas coube ao Grupo VW trazer a curiosa disposição aos tempos modernos.

Requinte ao extremo: monitores de 6,5 pol nos encostos de cabeça podem utilizar fontes distintas, como TV, vídeo, playstation e sistema de navegação 

No caso do A8, o W12 origina-se da fusão de dois motores de seis cilindros em V a 15 graus e 3,0 litros, sendo de 72 graus o ângulo entre as bancadas. O virabrequim pesa apenas 20,5 kg e, segundo a Audi, o nível de vibrações obtido supera até o dos suaves V12 conhecidos. Para uma montagem mais baixa, foi adotado o sistema de lubrificação a cárter seco, em que o óleo fica armazenado em um tanque externo (atrás do farol direito neste caso) e não na parte inferior do motor. Outra vantagem é a lubrificação eficiente mesmo sob aceleração longitudinal ou lateral intensa. Continua

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