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Veyron inaugura a
Bugatti do século XXI

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Um W16 de 8,0 litros, quatro turbos e 1.001 cv promete
contestar as leis da física nesta obra-prima da VW

Texto: Marco Antônio Oliveira - Fotos: divulgação

O McLaren F1 da década de 90 era um veículo de inúmeras características impressionantes, mas apenas uma costuma ser lembrada: ainda é o veículo "de rua" mais veloz de todos os tempos, tendo alcançando 386,7 km/h na pista de provas da Volkswagen alemã em 31 de março de 1998.

Àquela época, a imprensa internacional garantia que a McLaren havia "acabado com a batalha por maior velocidade", que o Ferrari F50 (com 325 km/h de máxima) provava que ninguém mais se aventuraria a tentar velocidades tão altas, que velocidades acima de 300 km/h tinham interesse apenas acadêmico, visto que o tráfego moderno não as permitiria.

O grupo Volkswagen apresentou seu primeiro Bugatti no Salão de Paris de 1998: o EB 118, com um W18 de 6,3 litros e 555 cv

Obviamente, quem achava que a disputa terminara subestimou largamente a competitividade do ser humano, bem como sua capacidade de inovação e contínuo crescimento. Cabe a famosa afirmação do alpinista que, questionado dos motivos que o levaram a subir uma montanha nunca antes conquistada, respondeu: "Por que eu subi a montanha? Porque ela existe."

Sendo assim a natureza do mundo, o grupo Volkswagen anunciou no último Salão de Genebra, em março, que em 2003 (cinco anos após o recorde da McLaren) seu Bugatti EB 16/4 Veyron será o mais veloz automóvel do mundo, ultrapassando a mágica barreira dos 400 km/h. Como se não bastasse, os números previstos de aceleração são ainda mais impressionantes: o carro será capaz de acelerar de 0 a 300 km/h em menos de 14 segundos. Pense bem: a maioria dos carros 1,0-litro não consegue acelerar até 100 km/h nesse tempo.

A grade "ferradura" e as linhas da traseira do EB 118 já revelavam uma inspiração nos clássicos da marca que permanece nos carros-conceito mais recentes

A reconstrução da Bugatti parece ser um projeto pessoal de Ferdinand Piëch, o neto mais bem-sucedido do Dr. Ferdinand Porsche e, até abril próximo, o CEO do grupo Volkswagen. Após transformar a VW numa das empresas mais bem sucedidas da atualidade a partir de uma situação deplorável, Piëch agora pode gastar algum tempo -- e dinheiro, muito dinheiro -- para fazer o que gosta.

Tempo e dinheiro parecem não ser problema: Piëch já desenvolveu nada menos que quatro Bugattis diferentes que não foram lançados (ou seis, se consideradas as três versões do Veyron) e está atualmente no terceiro propulsor. Uma nova fábrica na França (em Molsheim, na Alsácia, lar tradicional da marca) está sendo criada, a um custo que só podemos imaginar...

O motor do primeiro conceito: com três fileiras de seis cilindros, era interessante mas de desenvolvimento um tanto complexo

Os Bugattis da era VW   Inicialmente, a idéia era produzir cupês e sedãs de altíssimo luxo e desempenho, um patamar acima da Rolls-Royce, como foi o Bugatti tipo 41 Royale nos anos 20 e 30. Foram apresentados os EB 118 (no Salão de Paris de 1998) e 218 (Genebra, 1999), em essência versões cupê e sedã quatro-portas, na ordem, do mesmo carro. Eram desenhados por Giugiaro, mas não em fase muito inspirada. A sigla EB era alusão a Ettore Bugatti, fundador da marca. Continua

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