Seis que valem por oito A
versão mais forte do Mercedes Classe C troca os V8 |
Ao reprojetar sua Classe C, a Mercedes-Benz deparou-se com uma dificuldade: em função do menor espaço disponível no cofre, os motores V8 utilizados nas versões esportivas C43 AMG e C55 AMG da série anterior -- que juntas venderam 4.200 unidades, pouco menos que o C36 AMG de seis cilindros -- não poderiam ser adotados no novo modelo. A solução: partir para um V6 superalimentado que, bem desenvolvido, poderia equiparar-se aos V8 de aspiração natural em potência e torque. |
| O resultado parece
plenamente atingido. Denominado C32 AMG, o novo sedã de
alto desempenho adota compressor mecânico -- como os
oferecidos em versões de menor cilindrada da mesma
Classe C -- e extrai, de um V6 de 3,2 litros e 18 válvulas,
354 cv a 6.100 rpm de potência e 45,9 m.kgf a 4.400 rpm
de torque. É o mais forte modelo de série em sua
categoria, superando inclusive o também novo BMW M3 (saiba mais). A intenção é produzir 3.500
unidades por ano, número elevado em relação a seus
antecessores. A AMG surgiu em 1967 na cidade alemã de Affalterbach e foi assumida pela Mercedes em 1990. O primeiro resultado da parceria no desenvolvimento de modelos esportivos veio ao mundo em 1994, sob a forma do C36 -- uma versão do C 280 majorada para 3,6 litros e 280 cv. Desde então o trabalho já deu origem a versões retrabalhadas das Classes E, S, CL, CLK (saiba mais) e até do utilitário-esporte ML -- sem falar no CLK-GTR de competição e em projetos especiais bem interessantes, como um 300 SL dos anos 50 que recebeu motor V8 de 320 cv. |
![]() O coração da fera: 3,2 litros, compressor mecânico, 354 cv |
![]() Rodas, pneus, freios e suspensão do Classe C são redimensionados no C32 AMG - clique nas imagens para ampliá-las |
| A inspirada carroceria do
novo Classe C, com seus faróis em forma de violão --
evolução do desenho de duplo oval lançado em 1996 pelo
Classe E --, serviu perfeitamente para o C32. Pára-choques
com spoiler e saias laterais respondem pela parte aerodinâmica,
enquanto a ponteira de escapamento dupla, ovalada e
cromada, típica da empresa, traz uma sonoridade
imponente. Ainda assim o carro é discreto, sem aerofólio
traseiro, como todo AMG. O interior recebe bancos
esportivos com laterais envolventes e revestimento em
napa, volante com melhor ergonomia e velocímetro para até
300 km/h. Derivado do C320 básico, o motor recebeu compressor mecânico -- e não turbocompressor -- por sua característica de funcionar desde baixos regimes de giros, garantindo respostas imediatas ao acelerador: um mínimo de 40 m.kgf de torque está disponível de 2.300 a 6.100 rpm. Com aumento de peso de 70 kg em relação à versão "comportada", a aceleração de 0 a 100 km/h do AMG requer apenas 5,2 segundos, contra 6,5 segundos do antigo C43 V8, de 306 cv. Mas a velocidade máxima está limitada -- por um acordo entre fabricantes e governo alemães -- a 250 km/h pela central eletrônica. Sem o limitador, seria de cerca de 285 km/h. |
| No interior, a sofisticação inerente a um Mercedes: sistema de navegação no visor do console, revestimento em couro nos bancos esportivos e no volante multifunção | ![]() |
| De uma preparação de fábrica
não se poderia esperar outra coisa: o C32 atende às rígidas
normas de emissões que a Mercedes estabelece para seus
produtos, capazes de atender aos padrões EU4, vigentes
apenas em 2005. É mantido o câmbio automático de cinco
marchas, mas os pontos de mudança de marcha são
adequados ao motor mais potente. A AMG não utiliza
caixas manuais em seus modelos, talvez por não haver uma
na produção Mercedes que suporte o torque dos motores
preparados -- embora a justificativa oficial seja a
preferência dos compradores. O chassi é amplamente revisto. As suspensões são cerca de 30 mm mais baixas e recebem molas e amortecedores mais firmes. Rodas AMG de 17 pol, com tala 7,5 pol na frente e 8,5 pol na traseira, são calçadas por pneus 225/45 e 245/40, na mesma ordem. Os freios a disco são enormes (345 mm à frente, 300 mm atrás) e ventilados, sendo os dianteiros perfurados. E, claro, não poderiam faltar os sistemas antitravamento (ABS) e de assistência adicional de frenagem (BAS) e os controles de tração (ASR) e de estabilidade (ESP). |
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Com mais de 40 m.kgf de torque disponíveis já a 2.300 rpm, o C32 esbanja força -- e pode acelerar de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos, tempo de superesportivo |
| O C32 AMG só estará disponível aos europeus em sua primavera, ou seja, entre março e junho de 2001. Seis meses depois haverá opção pela perua Touring. O presidente da AMG, Wolfgang Bernhard, reconhece que os preparadores independentes -- Carlsson, Brabus, Lorinser -- têm sido mais rápidos, oferecendo versões apimentadas dos novos Mercedes antes da fábrica. E promete mudar isso no futuro, lançando os novos AMG em simultâneo à apresentação de novas séries da marca da estrela. Para euforia dos que apreciam essas obras-primas da engenharia alemã. |
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