Os Porsches verde-amarelos
De
Jarinu para o mundo, as réplicas da Chamonix |
Califórnia, 30 de setembro de 1955. Numa deserta e longa estrada de mão dupla, um pequeno carro-esporte prateado
-- na verdade em tom natural de alumínio, sem pintura -- "devorava asfalto" a uma velocidade considerável, seu escapamento aberto ecoando por todos os lados. Dentro do conversível, dois jovens, loiros e de óculos escuros, o motorista com um cigarro aceso no canto da boca. O carrinho tinha o número 130 pintado no capô e nas portas, e na traseira, seu nome de guerra gravado:
Little bastard. |
| O jovem ator James Dean e o "Little Bastard", um dos primeiros 550 Spyder que a Porsche construiu: seu acidente fatal foi decisivo para tornar o carro famoso | ![]() |
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Mas a manobra não daria certo. O Ford 1950 acertou o carrinho à meia-nau, bem no meio da porta direita, arremessando-o para uma cerca de arame do outro lado da pista. O motorista do Ford
pouco sofreu, bem como o passageiro do
spider prata, que fora arremessado para fora do veículo no momento da colisão. Mas, em meio à carroceria retorcida do carrinho, jazia o corpo sem vida de um jovem ator de Hollywood de apenas 24 anos: James Dean. |
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O 550 Spyder original: com motor central de 115 cv e baixíssimo peso, acelerava e fazia curvas como poucos a seu tempo |
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O 550 Spyder (segundo Porsche de Dean, após um 356) era um conversível minimalista de motor central traseiro
-- diferente dos 356 normais, onde o motor ficava como no Fusca e no posterior 911, "pendurado" atrás do eixo
traseiro. Era o primeiro motor Porsche sem ligação com os Volkswagens usados nos demais carros da marca: um complexo e magnífico
boxer de quatro cilindros, refrigerado a ar, com bielas em cima de rolamentos, duplo comando de válvulas no cabeçote e dois carburadores de corpo duplo. Produzia
115 cv a 7.000 rpm a partir de apenas 1,5 litro de cilindrada. |
| Sucesso nas pistas: o 550 venceu a Mille Miglia de 1954 em sua classe e o próprio Dean chegou a competir com êxito | ![]() |
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Vamos agora avançar no tempo para chegarmos a 1987, bem aqui em nossa terrinha tupiniquim. Em São Paulo, um dos fundadores da Puma
(leia história), Milton Masteguim, em conjunto com o americano Chuck Beck, resolvia aproveitar a falta de carros interessantes no mercado -- as importações só seriam reabertas três anos depois -- e a onipresença de componentes VW, que poderiam ser usados, para lançar uma réplica do famoso 550 Spyder. Assim nascia a Chamonix, hoje a talvez única sobrevivente da antes próspera indústria nacional dos chamados fora-de-série. |
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