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O Spyder, por seu motor central, gerou a necessidade de se desenvolver um chassi diferente do VW, e ao fazê-lo, a empresa conseguiu também preservar a principal característica do carro original: o baixíssimo peso. Esse chassi é tubular, com tubos de 3 pol de diâmetro pintados com tinta epóxi para resistir à corrosão. As carrocerias em plástico também têm qualidade exemplar.

O motor do carro original era um boxer de quatro cilindros e refrigeração a ar, como no 356 e no Fusca, mas tinha duplo comando nos cabeçotes e extraía 115 cv de apenas 1,5 litro

Grande parte da produção da pequena empresa, hoje sediada na cidade paulista de Jarinu, é destinada à exportação, outro fator determinante na sobrevivência da Chamonix. Desde o início, Chuck Beck é o importador americano e as vende naquele mercado como Beck Spyder. Carros também são vendidos na Europa, Japão e Oriente Médio.

Mas a Chamonix não parou por aí. Mostrou-se sempre disposta a evoluir, lançando produtos novos regularmente, o que também não é usual em empresas desse tipo. Em 1990, veio o Super 90 conversível, seguido pelo Speedster em 1994 e o 550-S no ano seguinte. O Super 90 e o Speedster são réplicas de modelos Porsche 356, e para entendê-las melhor, um pouco de história se faz necessária.

O primeiro modelo da Porsche, o 356, também é reproduzido pela Chamonix. Esta versão Cup vem pronta para competir

Herr Doctor Ing. Ferdinand Porsche não deixa dúvidas em seu currículo. Foi simplesmente o maior gênio que chegou a encostar uma caneta nanquim no mailer para projetar um automóvel. Sua história se confunde com a do automóvel em si. A grande ironia é que ele nunca projetou um carro de marca Porsche.

Os Lohner híbridos (a gasolina/elétricos) de 1895, os Austro-Daimler da década de 10, os fantásticos Mercedes-Benz S, SS, SSK e SSKL da década de 20 (que praticamente criaram a imagem que temos hoje da marca), os incríveis Auto Union (percussora da Audi moderna) de Gran-Prix (a Fórmula 1 da época), que em 1934 já tinham motor central traseiro (o que só retornaria à F1 pela Cooper, 30 anos depois, para dominá-la até hoje), e o onipresente VW Fusca (1938): todos marcos da história, todos saídos da mente de Herr Doctor.

O Chamonix 550-S Spyder: um esportivo essencial, de acabamento espartano mas preparado para oferecer diversão em doses generosas

Alguns destes projetos foram desenvolvidos quando Porsche era empregado das empresas citadas, outros como projetos comprados. Já na década de 20, havia partido para uma "carreira solo", criando o que provavelmente foi um dos primeiros escritórios de engenharia independente a prestar grandes serviços para a indústria. A companhia Porsche, então, nasceu e foi antes de tudo uma empresa de projetos. Porsche foi um dos primeiros "terceiros". Ainda hoje grande parte do faturamento vem deste tipo de trabalho.

Com o advento da Segunda Guerra, o maior cliente da Porsche AG continuou o mesmo que a havia contratado para projetar o VW: Adolf Hitler. Ferdinand Porsche foi um dos expoentes da superioridade técnica da Alemanha na guerra. Durante o conflito projetou motores, tanques (inclusive o famoso Tiger), jipes, caminhões e até peças de artilharia. Contribuiu, também para criar normas e métodos de qualidade e tolerâncias que perduram até hoje.

O importador americano revende o Spyder como Beck 550. Os carros também são vendidos na Europa, Japão e Oriente Médio

Sua contribuição para o esforço de guerra alemão fez com que, terminada a guerra, fosse preso na França. Após amargurar alguns anos de cadeia, foi julgado, absolvido e libertado. Quando saiu da prisão, já velho e debilitado, encontrou seu filho, Ferdinand "Ferry" Porsche, construindo pequenos carros-esporte em cima de plataformas de Fusca, em um pequeno galpão que antes fora um moinho de trigo, na pequena cidade de Gmund, Áustria. Continua

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