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Lancia 037 e Delta S4   Derivado do Beta Monte Carlo de rua, um esportivo de motor central, o Monte Carlo 037 foi o primeiro carro feito para o Grupo B, ainda em 1983. Tinha motor de 16 válvulas, compressor tipo Roots, tração traseira (ainda não se confiava plenamente na integral usada pela Audi), chassi monobloco de aço e carroceria de plástico com fibra-de-vidro. A versão inicial tinha 2,0 litros e 305 cv a 8.000 rpm, depois elevados a 2,2 litros e 325 cv na temporada de 1984. Houve também um 2,0 de 350 cv.

O 037 da Lancia foi o primeiro competidor do Grupo B, em 1983. O motor central
com compressor Roots passou de 305 a 350 cv nos anos seguintes

Os pilotos Walter Röhrl e Markku Alen garantiram o título de Construtores em 1983, mas o carro logo se desatualizou frente aos novos concorrentes. No final de 1985 estreava seu sucessor, o Delta S4. Desenvolvido em parceria com a italiana Abarth, o motor 1,8 desenvolvia 480 cv a 8.400 rpm. O carro, que muito pouco tinha em comum com o Delta de rua, foi o único do Grupo B -- talvez o único na história do automóvel -- a utilizar, em simultâneo, compressor mecânico e turbocompressor, cada um com seu resfriador de ar.

O compressor trazia mais força em baixa rotação e o turbo em alta, havendo boa progressividade na transição entre os sistemas, graças a uma válvula de desvio que liberava pressão para o turbo em médios regimes.
O chassi era tubular e a carroceria de Kevlar (fibra de aramida); a suspensão usava dois amortecedores para cada roda. Saiba mais.

O Delta S4 somava turbo e compressor para chegar a 480 cv. Em um deles morreram Henri Toivonen e Sergio Cresto

O S4 venceu a primeira prova de 1986 e liderava os Mundiais de Pilotos e de Construtores quando o acidente fatal de Henri Toivonen (leia abaixo) tirou o empenho da equipe, que perdeu o Mundial daquele ano para a Peugeot.

Audi Quattro   Introduzido em 1980, o Quattro foi o primeiro carro de rali a usar a tração integral, cujo uso fora permitido no ano anterior. Apesar das dúvidas iniciais sobre sua confiabilidade e a relação entre o peso adicional e o ganho em comportamento, os resultados da Audi logo mostraram que este era o caminho. Continua

Acidentes levaram ao fim do Grupo B
O Grupo B foi extinto pela própria agressividade dos carros que o disputavam. Foram ao menos quatro graves acidentes: o de Attilio Bettega em 1985, com um Lancia 037; o de Joaquim Santos, com um Ford RS 200, que vitimou três espectadores e feriu dezenas no Rali de Portugal do ano seguinte; o de Ari Vatanen, com um Peugeot 205 na Argentina; e o de Henri Toivonen, pilotando um Lancia S4.

O caso de Toivonen foi o mais marcante. Junto do co-piloto Sergio Cresto, o piloto finlandês -- líder da temporada de 1986 -- perdeu a vida numa violenta capotagem em um trecho sinuoso da
Volta da Córsega, em 4 de maio. O carro saiu da estrada, colidiu com árvores e rochas e incendiou-se -- tudo o que restou foi o chassi tubular. Seguiu-se uma greve entre os pilotos e a imediata desistência da Ford e da Audi.

A FISA decidiu eliminar a categoria dos ralis, a partir de 1987, e cancelar os planos de outra classe então em estudos: o Grupo S (Silhouette), com carros de alta tecnologia, potência limitada a 300 cv e produção mínima de apenas 10 unidades. Como diz o nome, somente a parte externa do veículo seria de um modelo conhecido, a exemplo da Stock Car americana e da brasileira.

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