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Cavalos selvagens

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São 300 sob o shaker hood do Mustang Mach 1, que
traz de volta o charme e o torque dos anos 60

Texto: Felipe Cavalcante Bitu - Fotos: divulgação

Se ao ouvir a marca Ford você se lembra apenas do nome Zetec Rocam, provavelmente você tem menos de 25 anos. Falaremos a seguir de um produto que remonta a uma época em que a Ford tinha uma invejável imagem de requinte, sofisticação e esportividade, e sequer imaginava que um dia seu maior motor de produção nacional seria um quatro-cilindros de 1,6 litro.

Nada contra os Zetecs, muito pelo contrário. Mas quem tem mais de 25 anos lembra que a Ford, ao lado da Chrysler, era sinônimo de motor V8 no Brasil -- uma fase extinta há quase 20 anos, quando o último Landau deixou a linha de produção. E falar em Ford V8 traz à mente certo cavalo selvagem, um dos maiores ícones de Detroit.

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Do shaker hood, o capô que se mexe junto do motor, aos detalhes de
acabamento, tudo no Mach 1 remete ao clássico Mustang de 1969

Em 1969, o mundo passava por diversas transformações. Os Beatles concluíam uma de suas últimas e mais aclamadas obras, Abbey Road. Charles Manson deixava de ser mais um hippie de São Francisco para se tornar o mais famoso assassino em série do mundo. E a Ford... Bem, a Ford colocava no mercado o mais rápido quatro-lugares em produção até então: o Mustang Mach 1.

Trinta e três anos depois, o mito está de volta. Muitos puristas podem torcer o nariz ao sentir a falta de um carburador quadrijet ou de pneus diagonais Firestone Wide Oval. Felizmente -- ou infelizmente, diriam alguns -- o mundo dá voltas e a Ford não pode se dar ao luxo de ficar parada, promovendo uma revitalização em um dos maiores mitos das highways americanas.

Curiosamente, foram os mesmos entusiastas que apoiaram a Ford no desenvolvimento do Mustang Bullitt (a versão inspirada no filme homônimo de 1968) e que simplesmente "babaram" nos protótipos do Mach 1 apresentados pela Ford em encontros de Mustangs espalhados por todo o país. 

As rodas Magnum lembram as opcionais do Dodge Charger R/T, mas vêm em aro 17 pol e com pneus modernos. O pomo do câmbio em alumínio é um dos detalhes internos da versão

Alguns detalhes não conseguem passar despercebidos por ninguém, como o shaker hood. Trata-se de uma carcaça que envolve todo o sistema de admissão do motor e que ficava para fora do capô, em diversos muscle-cars do final dos anos 60. Balançando junto do motor e independentemente do resto do capô, o recurso criava um efeito visual inusitado, como se o motor fosse pular para fora do seu compartimento a qualquer momento -- além de otimizar o fluxo da mistura ar-combustível através da pressão aerodinâmica, uma reedição dos famosos Ram Air.

O shaker hood atual balança no galopar de 300 cavalos, gerados por um V8 de duplo comando nos cabeçotes, 32 válvulas (o tempo passa mesmo...) e 4,6 litros, com comandos de válvulas esportivos, coletor de admissão especial, virabrequim forjado (na versão com câmbio manual) e coletores de escapamento dimensionados. É o bastante para fazer frente aos 250 cv do Mach 1 básico de 1969, nascidos do 351 originário de Cleveland, Ohio, ou do lendário 428 Super Cobra Jet, com seus 335 cv. Continua

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Data de publicação deste artigo: 30/3/02

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