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Supercarros

Americano por fora, japonês por dentro

Novo Dodge Stratus Coupé tem linhas elegantes, motor
Mitsubishi e, na versão R/T, um V6 de 200 cv

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Se o Stratus da Chrysler era, para você, apenas um sedã médio-grande de linhas sóbrias, prepare-se para uma surpresa. Na linha 2001 das marcas norte-americanas do grupo DaimlerChrysler, os anteriores cinco modelos -- Stratus, Cirrus, Breeze, Sebring e Avenger -- tornam-se apenas dois: Chrysler Sebring e Dodge Stratus. E surge inédita versão cupê deste último, dona de uma elegância indiscutível.

Para surpresa de muitos, o Coupé não é um produto 100% DaimlerChrysler: a exemplo do Avenger que substitui, ele é construído pela Mitsubishi a partir da plataforma alongada do Eclipse. Quer mais? Ambos os motores destas versões de duas portas -- tanto do Stratus quanto do Sebring -- vêm também da marca japonesa. Essa parceria entre Chrysler e Mitsubishi vem de longe, tendo originado clones como o Dodge Stealth e o Eagle Talon, versões americanizadas dos japoneses 3000 GT e Eclipse.

Talvez o melhor ângulo do novo cupê da Dodge: capota arredondada, traseira inspirada no 300M e alguns traços do carro-conceito Charger R/T
Do antigo Stratus, bem conhecido no Brasil, o novo Coupé guarda o formato saliente, lembrando um focinho canino, da grade de quatro retângulos que identifica a divisão Dodge -- o sedã que temos aqui é na verdade um Dodge rebatizado Chrysler, esta a marca adotada no mercado internacional pela empresa. Mas o detalhe está mais sutil porque toda a frente foi alongada para alojar o motor V6. O duas-portas mede 4,75 metros de comprimento e 2,63 metros entre eixos.

As elipses dominam o desenho do Stratus Coupé, incluindo teto e tampa do porta-malas. A traseira lembra o sedã 300M, com toques do carro-conceito Charger R/T apresentado no Salão de Detroit de 1999. As pequenas janelas e a linha de cintura elevada transmitem um ar baixo, alongado e esportivo. E por falar em esportividade, a versão R/T -- sigla que gera instantâneas saudades nos fãs do velho Charger nacional dos anos 70 -- adota rodas cromadas de 17 pol e suspensão recalibrada.
Linha de cintura elevada confere elegância ao Coupé. As rodas do R/T são de 17 pol e a suspensão tem recalibragem  
No interior, o painel lembra o do Eclipse e os bancos dianteiros correm para a frente, para melhor acesso à parte traseira (o do motorista tem memória mecânica de posição). O sistema de áudio opcional da versão R/T é um Infinity com sete auto-falantes e toca-CD para até quatro discos no painel. O porta-malas, para 460 litros, é o maior da categoria.

O R/T utiliza o mesmo V6 de três litros, 200 cv de potência (37 cv mais que o 2,5-litros que substitui) e 28,3 m.kgf de torque máximo do esportivo japonês, acoplado a câmbio manual ou, como os norte-americanos preferem, a um manual-automático Mitsubishi de quatro marchas, rebatizado AutoStick. A versão manual faz de 0 a 100 km/h em cerca de 7,5 segundos.
Stratus e Sebring duas-portas são fabricados pela Mitsubishi, da qual utilizam a plataforma e os motores de 4 e 6 cilindros. O painel também lembra o do Eclipse
O novo Stratus R/T Coupé ainda não é um supercarro de motor V8 e tração traseira, como alguns entusiastas da marca gostariam -- estes terão de esperar a reedição do Charger R/T. Mas, em estilo e desempenho, o elegante duas-portas representa uma bela opção para os norte-americanos, que a Chrysler -- talvez em substituição ao Stratus conversível, não mais importado desde 1999 -- bem poderia oferecer no Brasil.

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