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Tradição era, até agora, o tom do Jaguar XJ, o sedã de topo da marca
britânica. Mesmo que a geração lançada em 2002 fosse toda nova, suas
linhas lembravam demais o modelo anterior, produzido com as mesmas
formas básicas por mais de 30 anos desde 1968 (leia
história). O lançamento do XF em 2007, com desenho mais ousado, apontou o novo
caminho para a marca do felino e agora aparece o XJ para 2010.
Da forma da grade à inclinação do vidro traseiro, o XJ deixa claro que
foi inspirado no XF, mas a traseira assume um aspecto mais conservador,
coerente com o segmento em que este Jaguar se insere. Ali, o toque mais
original está nas lanternas compostas por três faixas de
leds em cada
uma. A linha do teto arredondada é um destaque, mas a solução de
encobrir as colunas traseiras em preto, para simular um vidro posterior
envolvente, tem efeito discutível. O teto envidraçado tem seção
dianteira móvel, que corre por fora para não prejudicar o espaço para
cabeça, e traseira fixa. O Cx 0,29 é o melhor na história da marca,
embora não expressivo para um carro grande (o novo
Mercedes-Benz Classe
E consegue 0,25).
O ambiente interno é dos mais refinados e conta com ampla escolha de
acabamentos, como nove opções de apliques de madeira, além de preto
brilhante e padrão fibra de carbono. A climatização tem duas ou quatro
zonas de ajuste, conforme a versão, e os bancos podem ser aquecidos ou
ventilados, até mesmo no encosto, além de contar com massageador.
No console está o Jaguar Drive Select, o comando circular giratório em
alumínio que controla diversas funções. Interessante é o quadro de instrumentos
virtual: animações tridimensionais tomam o lugar de mostradores comuns
na tela de 12,3 pol, o que permitiu à empresa dar prioridade a certas
informações.
Um alerta
importante, por exemplo, pode aparecer no espaço destinado ao
conta-giros para chamar a atenção sem ocupar espaço permanente. Ao
selecionar o modo Dynamic de direção, que afeta vários sistemas do carro, o motorista vê os instrumentos
ganhar um tom vermelho e surge a indicação da marcha em uso na caixa
automática. Há também uma tela sensível ao toque de 8 pol no centro do
painel, onde se controlam sistemas como navegação. áudio, comunicação e
climatização. Pode-se assistir a um DVD ou à TV nessa tela e conectar
aparelhos diversos com facilidade. O áudio opcional da marca inglesa
Bowers & Wilkins inclui 20 alto-falantes, potência de 1.200 watts e
ajuste de pureza do som Audyssey MultEQ XT. Monitores de vídeo nos
encostos de cabeça dianteiros, com fones de ouvido sem fio, também são
oferecidos.
A estrutura leve do XJ anterior evoluiu para uma que emprega, além de
alumínio, também magnésio e outras ligas. Quatro motores estão
disponíveis: o novo V8 de 5,0 litros com potência de 385 cv, sua versão
com compressor e 470 cv, outra com 510 cv para a versão Supersport
(capaz de levar o carro de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos) e o V6 a diesel
com dois turbos, 3,0 litros e 275 cv. Todos usam caixa automática de
seis marchas, que admite trocas manuais por alavancas junto ao volante,
e o amortecimento da suspensão e o diferencial (como nos novos
XKR e XFR) trazem controle eletrônico.
Como se espera, todo o aparato de segurança foi previsto, como
controlador de velocidade ativo, monitoramento dos pontos sem
visibilidade ao redor do carro e faróis com comutação automática entre
fachos alto e baixo (detecta veículos à frente ou no sentido oposto). Os
cintos de segurança ganham tensão durante curvas e frenagens intensas,
para manter os ocupantes firmes aos bancos, e há bolsas infláveis
frontais, laterais e de cortina.
E, para dar o toque de preservação ambiental a tanta tecnologia, a
Jaguar anuncia que usa 50% de materiais recicláveis na carroceria, com
planos de aumentar esse número para 75%, o que pouparia a emissão de
três toneladas de CO2 (gás carbônico) por automóvel em relação ao uso de
alumínio 100% novo. Uma prova da sintonia deste XJ com os novos tempos.
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