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Vez
ou outra, os entusiastas por automóveis se deparam com gestações
anormalmente longas. Há o caso clássico do
Bugatti Veyron, que levou seis anos do primeiro conceito (1999) para
a versão de produção, embora houvesse a justificativa de que superar 400
km/h no solo requer alguma engenharia... O Fiat 500 levou três anos
desde o conceito Trepiùno de 2004,
e o VW New Beetle, quatro anos contados de 1994, quando apareceu como
Concept One. Mas, em um supercarro de desempenho "normal", quase seis
anos do primeiro conceito até a chegada às ruas
—
vamos admitir —
é tempo demais.
Pois essa espera, que só termina no fim de 2010, é pelo primeiro
supercarro da divisão Lexus da Toyota, mais conhecida por sedãs e cupês
comportados e que há não muito tempo lançou o sedã esportivo IS-F. Foi
no Salão de Detroit em janeiro de 2005 que ela apresentou o
conceito LF-A, com previsão de potência de 500 cv,
seguido por outros estudos em 2007 e 2008. Muito se falou sobre
adiamentos e até o cancelamento do projeto, que acabou vingando e
aparece como modelo final, sem o hífen (LFA), neste Salão de Tóquio.
Muito do desenho do LFA repete o conceito inicial, embora a frente tenha
sido alterada nas versões posteriores para um aspecto mais moderno. Se
as formas não inovam —
talvez pela exposição obtida na fase de conceito —, são imponentes e têm
a identidade do desenho japonês. O aerofólio traseiro aparece e muda de
posição conforme a velocidade. O ambiente interno tem ar futurista,
longe do aspecto ultrapassado de outro superesportivo oriental — o
Nissan GT-R —, e o conta-giros domina o painel, tendo ao lado os
marcadores de temperatura de água e de óleo, nível de combustível e
pressão de óleo. O velocímetro digital fica no centro.
O LFA tem motor dianteiro, tração traseira com
transeixo e estrutura da
cabine em fibra de carbono, receita para peso contido (1.480 kg, com
redução de 100 kg na cabine em relação a uma de alumínio, anuncia a
Lexus) e ótima distribuição entre os eixos (52% no traseiro). O
motorista está em posição próxima do centro do gravidade e tão
centralizada quanto possível. O motor V10 de 4,8 litros faz amplo uso de
ligas de alumínio, magnésio e titânio, tem dimensões próximas às de um
V8 típico e lubrificação com cárter seco. A potência de 560 cv e o
torque de 48,9 m.kgf podem não impressionar nos dias de hoje, em que há
sedãs com mais de 600 cv, mas bastam para números expressivos de desempenho: de
0 a 100 km/h em 3,7 segundos e máxima de 323 km/h. O motor gira até
9.000 rpm e mantém 90% do torque disponíveis entre 3.700 rpm e a faixa
vermelha.
A caixa de câmbio manual automatizada tem seis marchas, quatro programas
de funcionamento e sete modos de trocas manuais, que podem ser tão
rápidas quanto 0,2 segundo. As suspensões apostam em receitas de
eficiência comprovada (dianteira por braços sobrepostos, traseira
multibraço) e os freios usam discos de carbono-cerâmica.
Apenas 500
unidades do LFA ganharão as ruas. Para os que tiveram paciência, a
espera parece ter compensado. |