Com a herança de uma lenda

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Ressurge no mercado um supercarro McLaren: o MP4-12C, adequado
aos novos tempos em termos de conforto, tecnologia e... preço

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

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Na última década do "século do automóvel", um carro representou o máximo em técnica e desempenho. Seus três ocupantes, com o motorista no centro, eram movidos de 0 a 300 km/h em 20 segundos por um motor BMW V12 de 6,1 litros e 627 cv, que também os levava à velocidade máxima confirmada de 391 km/h, a mais alta em um modelo de produção normal. Mas a série de 100 unidades se esgotou em 1998, a empresa se associou à Mercedes-Benz para projetar e construir o SLR e os parâmetros de esportividade pura do McLaren F1, aquela obra-prima da engenharia automobilística, pareciam esquecidos no passado.

Pareciam, mas não estavam. A McLaren Automotive, divisão de carros baseada no McLaren Technology Centre em Woking, na Inglaterra, desenvolveu um novo supercarro
— o MP4-12C — que, embora inapto a rivalizar com o Bugatti Veyron em desempenho, pretende recuperar a aura de precisão técnica que fez tão admirado seu antecessor F1, com o qual aparece na foto ao lado. Vistos na mesma cor, é inegável que eles se parecem, seja nas formas suavemente arredondadas, na cabine avançada para dar espaço ao motor central-traseiro, no sentido de abertura das portas ou mesmo no limpador de para-brisa com um só braço e sistema pantográfico. Luzes auxiliares dianteiras e as lanternas traseiras usam leds. De frente ele talvez lembre demais alguns dos recentes Ferraris, mas a culpa é da própria fábrica de Maranello, que se inspirou no F1 para definir o aspecto dianteiro do 360 Modena, evoluído para o F430. A McLaren preocupou-se em criar um desenho elegante e que resista ao tempo, sem os exageros de alguns supercarros que envelhecem logo.

O MP4 é o primeiro carro de produção com estrutura baseada em uma única peça de fibra de carbono, chamada de Carbon MonoCell pelo fabricante. O conjunto compacto permite melhor aproveitamento de espaço para a cabine ou, visto por outro ângulo, menores dimensões externas. Naturalmente, há também redução de peso em comparação a outros materiais, preocupação que está por todo o carro. Os freios a disco de ferro montados em cubos de alumínio forjado pesam menos que os de carbono-cerâmica usados por outras marcas; o freio aerodinâmico (aerofólio traseiro que assume posição desfavorável ao ar em frenagens de alta velocidade) usa o próprio fluxo de ar para obter um sistema mais leve de acionamento; e os radiadores são montados no sentido longitudinal do carro (deixando-o mais estreito) e bem perto do motor para evitar longas conexões.

A cabine é tradicional, com dois lugares em vez dos três de seu antepassado, e seu ambiente é esportivo sem impressionar pelas formas. Conveniências como ajuste elétrico dos bancos, controlador de velocidade, sensor de estacionamento e ar-condicionado de duas zonas foram concessões à redução de peso, assim como o conjunto de bolsas infláveis. Inédito é o monitor central de 7 pol (para áudio, telefonia e navegação) em posição vertical, que poupa espaço transversal e, segundo o fabricante, é tão intuitivo de usar como o de um telefone celular. Também no console central estão o botão para ligar e desligar o motor e os comandos dos programas de uso do carro: Active, para ativar todos os controles dinâmicos; Winter (inverno), que ajusta motor, suspensão e auxílios eletrônicos para uma condução mais suave, apropriada a pisos de baixa aderência; e Launch, controle de largada, que calcula a entrega de potência para máxima aceleração com mínima perda de aderência. Continua

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Data de publicação: 9/9/09

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