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Na
última década do "século do automóvel", um carro representou o máximo em
técnica e desempenho. Seus três ocupantes, com o motorista no centro,
eram movidos de 0 a 300 km/h em 20 segundos por um motor BMW V12
de 6,1 litros e 627 cv, que também os levava à velocidade máxima
confirmada de 391 km/h, a mais alta em um modelo de produção normal. Mas
a série de 100 unidades se esgotou em 1998, a empresa se associou à
Mercedes-Benz para projetar e construir o SLR e
os parâmetros de esportividade pura do
McLaren F1, aquela obra-prima da
engenharia automobilística, pareciam esquecidos no passado.
Pareciam, mas não estavam. A McLaren Automotive, divisão de carros
baseada no McLaren Technology Centre em Woking, na Inglaterra,
desenvolveu um novo supercarro
— o MP4-12C —
que, embora inapto a rivalizar com o Bugatti
Veyron em desempenho, pretende recuperar a aura de precisão técnica
que fez tão admirado seu antecessor F1, com o qual aparece na foto ao
lado. Vistos na mesma cor, é inegável que eles se parecem, seja nas
formas suavemente arredondadas, na cabine avançada para dar espaço ao
motor central-traseiro, no sentido de abertura das portas ou mesmo no
limpador de para-brisa com um só braço e sistema pantográfico. Luzes
auxiliares dianteiras e as lanternas traseiras usam
leds. De frente ele talvez lembre demais
alguns dos recentes Ferraris, mas a culpa é da própria fábrica de
Maranello, que se inspirou no F1 para definir o aspecto dianteiro do
360 Modena, evoluído para o
F430. A McLaren preocupou-se em criar um desenho
elegante e que resista ao tempo, sem os exageros de alguns supercarros
que envelhecem logo.
O MP4 é o primeiro carro de produção com estrutura baseada em uma única
peça de fibra de carbono, chamada de Carbon MonoCell pelo fabricante. O
conjunto compacto permite melhor aproveitamento de espaço para a cabine
ou, visto por outro ângulo, menores dimensões externas. Naturalmente, há
também redução de peso em comparação a outros materiais, preocupação que
está por todo o carro. Os freios a disco de ferro montados em cubos de
alumínio forjado pesam menos que os de carbono-cerâmica usados por
outras marcas; o freio aerodinâmico (aerofólio traseiro que assume
posição desfavorável ao ar em frenagens de alta velocidade) usa o
próprio fluxo de ar para obter um sistema mais leve de acionamento; e os
radiadores são montados no sentido longitudinal do carro (deixando-o
mais estreito) e bem perto do motor para evitar longas conexões.
A cabine é tradicional, com dois lugares em vez dos três de seu
antepassado, e seu ambiente é esportivo sem impressionar pelas formas.
Conveniências como ajuste elétrico dos bancos,
controlador de velocidade,
sensor de estacionamento e
ar-condicionado de duas zonas foram concessões à redução de peso, assim
como o conjunto de bolsas infláveis. Inédito é o monitor central de 7
pol (para áudio, telefonia e navegação) em posição vertical, que poupa
espaço transversal e, segundo o fabricante, é tão intuitivo de usar como
o de um telefone celular. Também no console central estão o botão para
ligar e desligar o motor e os comandos dos programas de uso do carro:
Active, para ativar todos os controles dinâmicos; Winter (inverno), que
ajusta motor, suspensão e auxílios eletrônicos para uma condução mais
suave, apropriada a pisos de baixa aderência; e Launch, controle de
largada, que calcula a entrega de potência para máxima aceleração com
mínima perda de aderência. Continua |