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Em
outros tempos, a Ford podia se dar ao luxo de levar mais de um ano para
lançar uma versão de mais de 500 cv do Mustang com base em uma nova
geração, como aconteceu em 2005 com o Shelby Cobra
GT 500, derivado do modelo básico
apresentado no ano anterior. Hoje as regras do jogo são outras: com os
renascidos Chevrolet Camaro e
Dodge Challenger em seu encalço, o
"carro-pônei" precisa se manter atualizado, o que explica a rapidez com
que aparece, já no Salão de Detroit, o modelo 2010 do GT 500.
É verdade que não foi preciso mexer muito na mecânica. A Ford manteve o
motor V8 de 5,4 litros dotado de compressor,
que recebeu melhorias em admissão, escapamento e controle de
detonação e agora produz a potência de
547 cv (540 hp) e o torque de 70,5 m.kgf, contra 507 cv e 66,3 m.kgf do
modelo anterior. Mas não foi desta vez que o Cobra ganhou o bloco de
alumínio da versão que equipava o supercarro GT,
pois aquela configuração incluía um cárter
seco que a marca diz não ser aplicável a este carro. Assim, com
cerca de 1.800 kg, este Cobra é a mais potente e também a mais pesada
versão do Mustang já feita de fábrica.
Dotado de caixa manual de seis marchas e
diferencial autobloqueante, o Shelby ganhou molas mais firmes e
controle de estabilidade de série, que
pode ser desativado ou operar em modo esporte, mais permissivo. Na
traseira permanece o antiquado eixo rígido, que a Ford defende pela
relativa eficiência em pisos regulares e, claro, pelo baixo custo
comparado a uma suspensão independente. As rodas de 19 pol em alumínio
forjado do cupê usam pneus 255/40 à frente e 285/35 atrás, enquanto o
conversível vem com aros de 18 pol em alumínio fundido.
O aspecto intimidante do GT 500 segue o do
Mustang básico, que foi
reformulado para 2010. Tanto o cupê quanto o conversível trazem grade
mais protuberante, defletores no parachoque dianteiro e sobre o
portamalas, capô com saídas de ar e um conjunto de faixas duplas
longitudinais, tanto na parte lateral inferior quanto ligando a frente à
traseira por cima. E, claro, o símbolo da naja (significado de cobra
em inglês, já que snake é o termo genérico para o animal) está
bem presente na grade, na traseira e nos paralamas dianteiros. Por
dentro, o padrão de faixas repete-se no acabamento de couro nos bancos,
que usam camurça sintética nas laterais.
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