




O carro que já impressionava
pelas formas agora é um símbolo supremo de desempenho: 406 km/h de
máxima, de 0 a 100 em menos de três segundos |
Demorou tanto que, para muitos, já parecia um plano impossível de
concretizar. Foram mais de quatro anos desde que, no Salão de Genebra
de 2001, Ferdinand Piëch — neto do Dr. Ferdinand Porsche e, na época,
CEO do grupo Volkswagen — anunciou que o Bugatti EB 16/4 Veyron seria
o carro de produção mais veloz do mundo em todos os tempos. Piëch deu
números do que ambicionava: 1.001 cv de potência, mais de 400 km/h de
velocidade máxima. Só não disse quando o sonho se tornaria realidade.
Pode-se imaginar quantas noites mal dormidas o projeto do Veyron
causou aos engenheiros do grupo alemão. Mil cavalos e 400 km/h podem
parecer viáveis em um carro de competição, mas ganham outras
proporções quando se consideram fatores como segurança,
confiabilidade, durabilidade e emissões poluentes, necessários em um
modelo de rua. Mas a VW conseguiu atendê-los e, neste segundo
semestre, começou a entregar as primeiras das 300 unidades previstas,
construídas em uma nova fábrica em Molsheim, na Alsácia, França, onde
a Bugatti tem suas origens (leia
história).
De 18 para 16
O
renascimento da marca, que tem em seu passado carros vencedores nas
pistas (como o tipo 35) e um modelo superluxuoso (o tipo 41 Royale),
começou em 1998, com a apresentação do carro-conceito EB 118 no Salão
de Paris (leia a cronologia). A ele
seguiram-se o sedã de luxo EB 218, o superesportivo EB 18/3 Chiron e o
primeiro Veyron — na época com a sigla EB 18/4, composta pelas
iniciais de Ettore Bugatti e o número de cilindros. O nome homenageava
o francês Pierre Veyron, vencedor da 24 Horas de Le Mans de 1939.
Como se nota, o único dos projetos que vingou perdeu dois de seus
cilindros no caminho — já em 2001 o Veyron aparecia renomeado EB 16/4.
A questão é que o motor inicial da série, um W18 de 6,3 litros e 555
cv a 6.800 rpm, era complexo demais: o "W" formava-se por três
fileiras de seis cilindros em linha, unidas em um virabrequim único
com ângulo de 60 graus entre as fileiras. No W16, por outro lado,
tem-se quatro fileiras de quatro cilindros, com diferentes ângulos:
apenas 15° entre duas fileiras, de cada lado, e 90° entre o conjunto
da esquerda e o da direita. O resultado é um conjunto tão compacto
quanto um V12, com 71 centímetros de comprimento, e que pesa 400 kg.
Resolvida a questão dos cilindros, a VW estudou como chegar aos 1.001
cv anunciados. Há algo de especial nesse número, já que o mesmo Piëch,
na década de 1970, foi responsável pelo primeiro carro de corridas com
1.000 cv, uma versão do Porsche 917.
O ex-CEO deu tal importância ao valor que o Veyron atinge essa
potência tanto em cv (ou PS, usados na Alemanha) quanto em hp
americanos, embora a conversão de 1.001 cv resultasse em apenas 987
hp. A aparente incoerência tem explicação: na verdade, todos os
motores produzidos saem com 1.020 a 1.040 cv, o bastante para que os
1.001 hp anunciados no padrão americano sejam atendidos com folga.
Continua
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