Técnica
Manual e
automático -- no mesmo carro

Com os câmbios
semi-automáticos, você escolhe se troca
as marchas ou se a eletrônica faz isso por você
Texto: Fabrício Samahá
Embora tenha a
preferência absoluta dos americanos, o câmbio automático nunca
teve participação significativa na produção dos carros
europeus e brasileiros. À conveniência que proporcionam no tráfego
urbano, seus opositores argumentam que tiram do motorista um
pouco do controle sobre o carro e até mesmo do prazer de dirigir.
O Tiptronic,
utilizado pela Audi, permite mudanças manuais quando se desloca
a alavanca para o canal direito
Para combater esse preconceito, os automáticos evoluíram. De início
ganharam mais velocidades, passando de três para quatro. Hoje são
comuns os de cinco em carros importados. Depois vieram os
controles eletrônicos de mudanças, com opções econômica,
esportiva e, na maioria dos casos, uma específica para terrenos
de pouca aderência. O passo definitivo, porém, foi dado com os
câmbios semi-automáticos, que reúnem as vantagens do automático
e do manual - já disponíveis em modelos da Audi, BMW, Honda (Prelude),
Chrysler e Porsche.
Nos sistemas Tiptronic (Audi e Porsche) e Steptronic (BMW), a
alavanca corre longitudinalmente e tem as posições P, R, N e D,
como num automático convencional. No Tiptronic há ainda as posições
3, 2 e 1 das marchas (quatro incluindo o D, drive), que no
Steptronic são cinco e não vêm indicadas. Movendo-se a
alavanca lateralmente, abandona-se o comando automático e entra-se
num canal de operação manual. Basta mover a alavanca para a
frente, para engatar uma marcha superior, e para trás, para
fazer uma redução - sem necessidade de embreagem.
O sistema eletrônico, além de facilitar o dirigir, é capaz de
inibir as falhas do motorista. Se é imposta uma rotação
excessiva, a marcha superior entra automaticamente ou, se for o
caso, o comando do motorista para redução não é obedecido.
Também é recusada uma marcha muito longa com baixa velocidade.
No Tiptronic, em modo automático, um sensor de aceleração
lateral evita a mudança para uma marcha superior - que
diminuiria o freio-motor - quando se desacelera nas entradas de
curva. O sistema da Porsche permite ao motorista até se sentir
num carro de Fórmula 1, com botões no volante que fazem as
trocas de marcha ao toque do polegar.
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