Em 1989, Salman Rushdie, já consagrado como escritor, publica Os versos satânicos. Sob o pretexto de que nesse livro ele blasfemou contra o Islã, o aiatolá Ruhollah Khomeini, líder do Irã, o condena à morte em fevereiro de 1989.
Quem leu o romance sabe que Rushdie trata a modernidade ocidental com o maior ceticismo e mostra como os textos sagrados do Islã são aviltados pela televisão e pela publicidade. Mas isso não inocentou Rushdie diante do espírito teocrático fundamentalista, para o qual abordar os textos sagrados num romance é pior do que qualquer ataque direto – precisamente porque, sendo contrário à afirmação de uma verdade única, o romance não permite àquele espírito se defender.
Depois da condenação de Rushdie, que por isso foi obrigado a viver longos anos na clandestinidade, vários escritores são assassinados na Argélia, também por seus textos e pronunciamentos serem considerados profanadores da fé muçulmana
Em face desses crimes, um grupo de meia centena de escritores e intelectuais europeus e americanos, apoiando-se numa ideia do sociólogo francês Pierre Bourdieu, propõe a fundação de um organismo para a defesa da liberdade artística e de expressão e para dar apoio aos escritores perseguidos em seus países.
O apelo, enviado a mais de duzentos escritores do mundo inteiro, foi aceito unanimemente, nascendo então, em novembro de 1993, o Parlamento Internacional dos Escritores, que reivindica a autonomia da literatura em relação aos diferentes poderes e insiste na necessidade de uma estrutura capaz de organizar um movimento de solidariedade internacional, o grupo funda, ainda em novembro de 1993,
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