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Nestes tempos em que a televisão substituiu a conversa, o rito antigo de contar se tornou de novo importante, e o escritor tende a ser um contador, tende a dizer ao destinatário da obra por que enveredou por uma estrada, e não outra, que obstáculos encontrou e como finalmente conseguiu chegar a sua meta. Ao fazer isso, dá a entender que o ato de escrever é uma aventura.

Caleidoscópio das ideias contemporâneas, A força da palavra reúne entrevistas com intelectuais e escritores estrangeiros publicadas na grande imprensa brasileira. São 20 autores apresentados na sua originalidade, graças ao procedimento da entrevistadora, que parte de um roteiro cuidadosamente organizado, mas se deixa orientar pelo entrevistado, nunca submetendo a conversação ao esquema preconcebido

Jacques Derrida fala de Marx e dos seus espectros. Michel Serres faz a apologia da mestiçagem. Jean-Claude Carrière, coautor de um livro com o Dalai-Lama, nos introduz no budismo. Além de filósofos e psicanalistas, A força da palavra põe em cena poetas e romancistas. Octavio Paz aí nos diz que o amor é uma aposta na liberdade; Françoise Sagan, que o sujeito é livre quando só quer o que pode; e Nathalie Sarraute, nome histórico do nouveau roman, que, em literatura, não existe mestre.


Publicado pela Record em 1996 e lançado no Auditório da Folha com debate e participação de vários jornalistas. Por causa desse livro, a autora foi convidada a dar conferências por muitos departamentos de jornalismo de universidades brasileiras. Esgotada a obra nas livrarias, a autora preparou a segunda edição corrigida e ampliada, que ganhou mais 11 entrevistas, feitas e publicadas até 2004, incluindo a que lhe foi concedida pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre sobre a cultura do brincar e as de dois escritores chineses de destaque: o romancista e dramaturgo Gao Xingjian e o poeta Bei Dao. A nova edição ainda não tem versão impressa, mas pode ser acessada neste site pelo link A força da palavra no item Obras Selecionadas.

> Duas cartas à autora


BRASIL
"A força da palavra poderia se chamar ‘A força do silêncio’. Porque, acima de tudo, Betty sabe escutar nos momentos certos – um segredo aparentemente simples, mas que exige percepção, controle e sabedoria."
Lector, setembro, 1996

PORTUGAL
"São muito estimulantes as entrevistas. Curtas mas densas, cheias de sugestões reflexivas."
Maria Isabel Barreno, carta, novembro, 1996.


Comunicação, Literatura.


A força do silêncio
Jornal Lector

A força da palavra no livro ou no jornal
Cid Seixas