A paixão de Lia é uma ficção através da qual o desejo feminino se expressa poeticamente. A história de Lia é a da sua fantasia, a da passagem de uma a outra situação em que ela, imaginando, realiza o que deseja.
A cada situação corresponde um voto da personagem. O primeiro é o de encontrar um amante, o ideal. O segundo de encontrar num bordel os simulacros do amante ideal. O terceiro de ser uma cortesã. O quarto de ser lésbica e o quinto de ser mãe. São cinco votos em cinco capítulos: My Man, O Bordel, A Cortesã, Lesbos e Ave, Maria!
O monólogo erótico da personagem é uma viagem em que tanto ouvimos a voz de Lia quanto as vozes femininas pelas quais ela se deixa embalar – Billie Holiday, Edith Piaf. O leitor viaja ouvindo e se transportando para os lugares com os quais Lia sonha: Paris, Buenos Aires, Nova York...
Neste texto, a heroína faz pouco da obrigação do gozo e diz que, mesmo no bordel, só o prazer deveria ser requerido. O que lhe interessa é o sexo sonhado e por isso Betty Milan, evocando Fernando Pessoa, diz na introdução que "nessa terra é tão preciso sonhar quanto navegar”.
|