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"Coberta de purpurina, a mulata raia no asfalto, brilha mais do que o sol.
Como Romeu para Julieta. Como João quando fala de amor. Porque ele ama a palavra. Sem esta nenhum Romeu nenhuma Julieta existiria. Ele só existe porque diz: "O céu está onde Julieta vive". Ela porque diz: "As mais belas estrelas invejam os olhos do meu Romeu". Sem a palavra, nem Romeu, nem Julieta, nem João, nem eu, nem esta bacante que precisa da letra do samba, da palavra, para ser o sol do meio-dia e da meia-noite."

O clarão é um romance inspirado na vida do publicitário Carlito Maia, mineiro de São Paulo, que foi diretor de comunicação da TV Globo, lançou Roberto Carlos e merece ser chamado de "o amigo dos amigos".

A paz é o melhor legado que o livro pode ter, pois ele exalta a amizade. E a paz é a vocação dos amigos. Um não quer vencer o outro. Prefere sempre empatar.

Além de ser um pacifista, o amigo é, por definição, um protetor. Ilumina quando a paixão nos cega – a paixão do dinheiro, do sucesso, do ódio… Traz felicidade por querer o nosso contentamento, respeitar a nossa liberdade e aceitar a diferença. O mais precioso dos bens é o amigo que, além de proteger e contentar,nos faz amar a vida.

Precisamente por valorizá-la, O clarão também focaliza a morte. Com isso, ensina a não perder tempo e não desperdiçar a existência.

Quem não nega a morte, prolonga o seu tempo de vida e o dos outros. Não desencadeando a guerra ou não correndo riscos desnecessários. Afastando de si o acidente e evitando o pior dos fins, que é o fim violento, ao qual nós hoje estamos cada vez mais sujeitos.

Do começo ao fim, o romance mostra que o amigo é o anjo que nós procuramos e a vida merece a nossa devoção.


Clique aqui para acessar o texto da leitura dramática.


OS OITO LANÇAMENTOS

O clarão é um romance sobre a amizade, profundamente enraizado na cultura popular brasileira, que o livro exalta. Pois é através do Carnaval que a personagem entende o quão importante é a morte para valorizar a vida. Contrariando a tendência atual de negar a morte, recorre à festa de Momo para fazer a personagem se dar conta do quanto vale a vida.

É o samba que ilumina Ana no seu desespero quando ela está diante da possibilidade de perder o amigo, João. É a letra de Noel Rosa: “Quando eu morrer/ não quero choro nem vela/ Quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela”. Por isso, houve na Biblioteca Nacional, no Rio de janeiro, uma homenagem a Joãosinho Trinta.

Joãosinho e Betty são amigos de outros carnavais, e o livro foi oferecido a 50 componentes da escola de samba do carnavalesco, a Grande Rio, que se apresentou com a “camisa do amigo”, introduzindo a batucada no templo da cultura da elite.

No evento da Biblioteca Nacional (fotos), além do lançamento do livro, houve uma exposição de frases, “Os Dizeres do Amigo”. Foi o ponto de partida do Projeto Amizade no Terceiro Milênio, que, com essa mesma estrutura, excursionou por oito locais do Brasil.

O projeto teve a sua segunda manifestação em São Paulo, no dia 25 de abril, no Conjunto Nacional. Às dezoito horas, inaugurou-se a segunda réplica da exposição Os Dizeres do Amigo. O então presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu, enviou de Brasília uma carta de homenagem a Carlito Maia – que inspirou o romance e foi um dos fundadores do partido, além de ter sido diretor de comunicação da Rede Globo e o homem que lançou Roberto Carlos e a Jovem Guarda quando era publicitário.

Depois da inauguração, Betty autografou na Livraria Cultura, e Zé Celso falou à imprensa sobre a importância da amizade para o Teatro Oficina. A seguir, o texto do livro foi lido para o público por um dos atores da trupe. A atriz Maria Fernanda Cândido esteve presente neste evento, que a TV Globo cobriu, como havia feito no Rio.

A terceira manifestação foi em Salvador, Bahia, na Biblioteca Pública do Estado. Inaugurou-se novamente a exposição e, antes do lançamento, Betty falou a respeito do saber do amigo.

A psicanalista Ivete Villalba apresentou brevemente o percurso intelectual da autora, assinalando três momentos: a introdução do pensamento lacaniano no Brasil, a publicação de O Papagaio e o Doutor e o lançamento de O clarão, com o qual procura difundir o ideário da amizade.

Depois da Bahia, Betty foi a Minas Gerais inaugurar a exposição na Biblioteca Pública Luís de Bessa, onde um coral de meninas adolescentes a recebeu em evento coordenado pelo programa Sempre um Papo, do jornalista Afonso Borges. Depois de breve palestra, o secretário da Cultura, Angelo Oswaldo, falou, agradecendo a homenagem a Carlito Maia, mineiro de Lavras, e caracterizando o lançamento e O clarão como uma peregrinação.

A quinta manifestação do projeto foi em Curitiba, onde a exposição estava instalada no saguão da Biblioteca Pública do Paraná e Betty teve a grata surpresa de ver na vitrine a resenha de Frei Betto, texto em que o escritor compara O clarão a “uma iquebana literária”. Em Curitiba, a exposição também se inaugurou com um coral.

O sexto evento, o de Florianópolis, aconteceu no Centro Integrado de Cultura, sendo o lançamento do livro precedido por uma apresentação do escritor Salim Miguel, que falou do percurso literário da autora, pontuando a diferença entre O Papagaio e o Doutor, que é satírico, e O clarão, um texto lírico.

Porto Alegre foi a penúltima capital em que se inaugurou a exposição com lançamento do livro. Isso aconteceu na Casa de Cultura Mário Quintana, com apresentação do trabalho pela coordenadora das bibliotecas e uma mesa redonda em que o crítico Flávio Loureiro falou de O clarão como o primeiro poema em prosa longo da literatura brasileira e assinalou o bom humor que atravessa a obra, contrariamente à nossa tradição literária. Loureiro exaltou a libélula, personagem do livro, dizendo que se trata de metáfora tão importante quanto os olhos de ressaca de Capitu.

Antes do último lançamento, em Brasília, Betty teve um encontro em Curitiba com os Secretários da Educação do Brasil para apresentar a eles o trabalho e sugerir que a reflexão sobre a amizade fosse introduzida no currículo escolar. Para ensinar a ética da delicadeza e, através disso, controlar a violência social.

Na capital federal, o lançamento foi divulgado pelo Correio Braziliense e pelo Jornal de Brasília – este último fez um suplemento especial sobre a amizade. A TV Nacional cobriu o evento.


"Um belo enredo, quase uma nénia confessional. Uma explosão triunfal do culto à fraternidade."
Fábio Lucas, carta , março, 2001

"Uma obra que comove pela beleza do texto e pela emoção que transmite. Faz parte de um entusiasmante projeto (Amizade no Terceiro Milênio) que, no caso do Brasil, chega em momento crucial, um momento em que é preciso neutralizar a onda de ódio, de suspeição, de violência que varre o país..."
Moacir Scliar, carta, Porto Alegre, 31/03/2001

"O amor amigo pertence à esfera da essência, que permanece inalterável para além das aparências efêmeras."
Nelly Novaes Coelho, prefácio do livro

"Uma iquebana literária."
Frei Betto, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 28/04/2001

"Não há na literatura brasileira um grande poema em prosa. E me parece que este grande poema em prosa é O clarão."
Flávio Loureiro Chaves, palestra no lançamento em Porto Alegre, 15/05/2001

“A escritora constrói suas tramas de um modo lacônico, minimalista, enxuto, buscando trazer a frase para o haicai. Tudo curto. Tudo breve. Mas tudo profundo e sério. Betty Milan faz inegavelmente um caminho novo na literatura brasileira. Ela criou um estilo. Há um modo Betty Milan de narrar.”
Deonísio da Silva, Observatório da Imprensa, internet, 6/6/2001

O clarão traduz para o modo literário algo essencial, aquilo que subjaz à amizade. Mostra a relação entre duas pessoas, e delas com a palavra -- aquilo que pode unir as pessoas e humanizar relacionamentos.”
Claudio Willer, O Escritor, junho, 2001


O amigo não tem preço
Deonísio da Silva

O amor amigo
Nelly Novaes Coelho

O clarão de Betty Milan
Fábio Lucas

Uma iquebana literária
Frei Betto

Celebra a amizade e o valor da palavra
Mirian Paglia Costa

O Clarão, um grande poema em prosa
Flávio Loureiro

Signos ascendentes
Claudio Willer


Livraria Cultura