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Guilherme Kerr
QUE DEUS ADORAMOS?
Nossa fé, cristã e evangélica,
tem profundas raízes no judaísmo. Jesus, o Messias, filho
de Deus e Salvador do mundo é também o prometido e esperado
de Israel e das nações. Deus é o Pai eterno e Criador
de todas as coisas (do mundo e tudo o que nele há), mas também
é claramente identificado como o Deus de Abraão, de Isaque
e de Jacó. É muito importante manter esta identidade. Digo
porque:
Vivemos num mundo pós-moderno onde a verdade se tornou relativa -
não existe mais para muitos hoje em dia uma verdade absoluta - apenas
a minha verdade ou a sua verdade. Onde o mais importante é ser "politicamente
correto" (respeitar todas as versões, não pisar no "calo"
de ninguém). Um mundo onde o maior valor de todos é a tolerância
(entendida como a aceitaçào pura e simples de todas as fés,
credos, filosofias e estilos de vida). Um mundo onde a própria fé
é relativa - onde o mais importante é "ter fé"
e não questionar fé em que ou em Quem?
Neste sentido "crer em Jesus" passou a significar qualquer coisa.
Porque "Jesus" é qualquer coisa: tem gente conversando
com "Jesus" em viagens extra-corpóreas como nas ficções
do bruxo Coelho; tem menino vendo "Jesus" no Brejo da Cruz como
nas letras do Chico Buarque; tem espírita que lhe dirá que
também crê em "Jesus" e que Ele é o mais iluminado
de todos os espíritos, o mais aperfeiçoado (entenda-se mais
re-encarnado em direção à perfeição),
o mais próximo do Pai. Tem gente re-interpretando Jesus e os evangelhos
e mostrando como Ele seria na verdade um homem tão semelhante a nós
e o teatro e cinema não cansam de mostra-lo bem humano (mas "bem
humano mesmo"!) as vezes em inflamado sexualmente com Maria Madalena,
as vezes até como um homosexual no meio de outros homosexuais.
Conheço inclusive muita gente boa e assumidamente evangélica
que diferente das aberrações acima cre sim em Jesus, mas um
Jesus só do Novo Testamento. Gente que vê (e não sei
se lê) o Antigo Testamento apenas como uma coleção de
livros históricos que tem valor como registro sagrado mas não
com a nossa jornada de fé hoje. Gente que vê um Deus irado
e legalista no AT e um Deus de graça e de bondade no NT. Um Deus
que mudou.
Quão diferente do ensino de Jesus que afirmou ser "um com o
Pai" e não fazer nada que não tenha visto o Pai fazer;
que não tinha outra comida ou bebida senão fazer a vontade
dAquele que O enviou. Quão diferente do apóstolo Paulo que
com toda perseguição que sofreu dos próprios conterrâneos
judeus, jamais abriu mão de identificar Jesus como o Messias de Israel,
o filho e semente de Davi, o prometido descendente de Abraão (pai
de todos os que tem fé). Paulo que percebia toda a escritura (referindo-se
principalmente ao Antigo Testamento) como sendo inspirada por Deus, útil
para a correção e para o ensino.
Você que é meu colega no ministério da adoração
- cuidado com as novas teologias, os novos ventos de doutrina, com as letras
que descrevem só a subjetividade da relação com Deus
porque embora a experiência de qualquer pessoa seja importante e deva
ser respeitada não é a experiência que determina a nossa
fé. A fé verdadeira vem de conhecer o caráter de Deus
que se revela sim na Natureza criada, que se revela sim pelo Espírito
na subjetividade do nosso coração; mas acima de tudo na Sua
palavra escrita e guardada sobrenaturalmente para nosso proveito.
Seja cauteloso com as letras que só refletem "a minha experiência
de Deus ou com Deus". Já imaginou se Paulo o apóstolo
fizesse o mesmo e colocasse como norma para todos os que se convertem passar
por uma experiência como a dele? Você só poderia "sentir-se"
salvo se
(1) estivesse perseguindo cristãos,
(2) a camino de Damasco capital da Síria,
(3) visse uma luz no céu mais clara do que o sol do meio-dia;
(4) ouvisse uma voz do céu dirigida a você e falando hebraico
(vamos ter que supor que você obviamente entenderia hebraico!);
(5) ficasse cego por uns dias .... e por aí vai.
Ia ficar muito difícil se converter "direitinho", não
é mesmo?
Lembre-se testemunho deve ser dado como testemunho e não como doutrina.
Já a Palavra é eterna e soberana. "O mundo pode passar
- as minhas palavras não passarão". Essa é nossa
regra de fé e de prática. Assim se revela o nosso Deus. O
que passar disso ( ou ficar aquém disso) é de procedência
maligna. Deus nos abençoe!
Guilherme Kerr, é músico, compositor e pastor,
morando hoje nos Estados Unidos


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